A Poesia do Jardim Botânico vs. a Industrialização do Projac
Durante a conversa, Carla explicou como a mudança de endereço impactou diretamente a dinâmica de trabalho e o sentimento do elenco nos bastidores da novela de Manoel Carlos:
- O romantismo do Jardim Botânico: Para ela, as gravações no antigo endereço carregavam uma mística especial. “Acho que enquanto estava ali no Jardim Botânico, havia uma poesia; as coisas eram diferentes”. Naquela época, os atores e a equipe ainda se referiam aos folhetins estritamente como “obras”. []
- A transição para o Projac: A migração ocorreu no meio das gravações de História de Amor, em novembro de 1995. Segundo Carla, a estrutura “ficou mega industrial”. Embora fizessem questão de injetar calor humano no dia a dia, a linguagem corporativa mudou rapidamente: “Pouco tempo depois, já se falava: ‘Qual produto você tá fazendo?’. Virou ritmo de fábrica”.
O Cenário Real no Bairro
O Jardim Botânico não era apenas o local dos estúdios antigos, mas também a principal locação externa da trama. O icônico prédio residencial de Helena (Regina Duarte) e de sua filha Joyce (Carla Marins) fica localizado na Praça dos Jacarandás. As cenas gravadas na fachada do edifício real ajudavam a dar o tom realista e charmoso característico das crônicas cariocas de Manoel Carlos.
A transição de História de Amor do Jardim Botânico para o Projac simboliza o divisor de águas entre a televisão artesanal e a era da superprodução industrial. As lembranças de Carla Marins resgatam um período de ouro da teledramaturgia, mostrando que, independentemente do formato ou do ritmo de fábrica que a TV assumiu nos anos seguintes, o calor humano e a entrega física do elenco foram os verdadeiros responsáveis por eternizar clássicos que continuam a resistir ao tempo.










