COLUNA DENILSON ANDRADE
EXPOSED BRASIL | RIO DE JANEIRO, 11 DE SETEMBRO DE 2026
O Peso do Contra-Ataque: Débora Falabella Fica Até o Fim no Tabuleiro de João Emanuel Carneiro
Por Denilson Andrade
Há certas arquiteturas dramáticas que recusam o minimalismo. Quando a TV Globo anunciou o estratagema comercial e nostálgico de uma sequência para Avenida Brasil, o mercado recebeu a novidade com um misto de fôlego suspenso e ceticismo estético. Afinal, mexer em monumentos tombados do imaginário pop nacional é um esporte de alto risco. A promessa inicial de que Débora Falabella faria apenas uma visita de cortesia, configurando uma participação especialíssima nos primeiros blocos para abençoar a nova jornada de Carminha (Adriana Esteves), parecia um arranjo protocolar de agenda. Ledo engano dos pragmáticos.
Esta coluna apurou que Falabella subverteu o roteiro dos bastidores. A atriz fechou um novo e robusto acordo com a emissora carioca para estender sua permanência na trama de João Emanuel Carneiro do primeiro ao último acorde, com gravações que avançam até o segundo semestre de 2027. É um movimento de mestre. Nina, a esfinge que congelou o país em 2012 na base do “me serve, vadia”, percebeu que servir-se em doses homeopáticas diluiria a potência do mito. Na arena da teledramaturgia contemporânea, ninguém quer ser o aperitivo quando se pode ser o prato principal.
A estratégia limpa o palco para o criador da saga. Sem a amarra de precisar assassinar ou despachar a personagem logo na largada, Carneiro ganha oxigênio literário para costurar a complexa tapeçaria de Avenida Brasil 2. É evidente que o eixo gravitacional mudou, visto que a centralidade agora pertence ao calvário e à prometida redenção de Carminha. No entanto, uma antítese forte é o que valida o herói ou o anti-herói. Deixar Adriana Esteves em cena sem o contrapeso magnético e cerebral de Falabella seria o equivalente a encenar um Hamlet sem o fantasma do rei.
Se o desespero do Ibope acelerou a produção, a permanência definitiva de Débora Falabella garante a grife. Resta saber se o público de 2027, saturado de estímulos imediatos e narrativas voláteis de redes sociais, terá o estômago e a elegância necessários para digerir essa vingança requentada a fogo brando. As gravações começam em outubro. Até lá, o Rio de Janeiro assiste, de binóculo, ao realinhamento dos astros mais caros do nosso firmamento audiovisual. Aos interessados, o banquete está servido. E será longo.











