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Obra autobiográfica de Aguinaldo Silva sobre a ditadura estreia com prestígio e aplausos na Zona Sul

Baseada na juventude de Aguinaldo Silva, a potente direção de Marco Miranda e as atuações marcantes de Guilherme DelRio, do ator Joe Ribeiro e grande elenco transformam a resistência boêmia...

Rio de Janeiro, 01/08/2026
Por Denilson Andrade

Colunista de TV, ARTE & CULTURA e CELEBRIDADES

Concorrida Estreia em Ipanema: “Lábios que Beijei” Conquista Plateia de Famosos e Celebra a Boemia da Lapa
A noite de ontem ficou marcada como um dos momentos mais efervescentes da temporada teatral carioca. A aguardada noite de estreia de “Lábios que Beijei”, espetáculo baseado na obra de Aguinaldo Silva com dramaturgia de Júlio Kadetti, lotou as dependências da Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema. A atmosfera de celebração tomou conta do espaço, que transportou o público diretamente para a mística Lapa do final dos anos 1960.
Arte & Cultura: A Força da Lapa de 1969 no Palco
A montagem se destaca como um manifesto de pura arte & cultura, resgatando a memória boêmia e a resistência artística do Rio de Janeiro sob a direção brilhante de Marco Miranda. O visível esmero e o alto padrão de qualidade técnica foram impressos pelas produtoras Isabella Barros Produções e Guilherme DelRio Realizações Artísticas.
Cada detalhe da cenografia de José Dias e dos figurinos traduziu com precisão o clima efervescente e perigoso dos anos de chumbo. O ponto alto de emoção ocorreu nos agradecimentos finais da sessão: em um gesto de carinho e reconhecimento, a produtora e atriz Isabella Barros subiu ao palco e entregou um lindo buquê de flores nas mãos do diretor, sendo ovacionada de pé pelo público pelo seu brilhantismo na condução da produção desse espetáculo.
Celebridades: Brilho e Prestígio no Tapete Vermelho
O universo das celebridades compareceu em peso para aplaudir o projeto e prestigiar essa importante estreia teatral na Zona Sul. Entre os grandes nomes da nossa televisão e figuras icônicas do cenário artístico carioca que passaram pelo saguão do teatro e elogiaram calorosamente a entrega do elenco no palco, destacaram-se:
    • Sérgio Malheiros (Ator)
    •  
    • Narjara Turetta (Atriz)
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    • Carlos Loffler (Ator)
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    • Isabelita dos Patins (Personalidade e ícone carioca) 

Ficha Técnica Completa
    • Supervisão de Texto: Aguinaldo Silva
    • Dramaturgia: Júlio Kadetti
    • Direção Geral: Marco Miranda
    • Cenografia: José Dias
    • Direção de Produção: Isabella Barros e Guilherme DelRio
    • Elenco Principal: Joe Ribeiro, Guilherme DelRio, Luiz Nunes, Marcelo Matos, Esther Elisabeth, Elaine Baracho, Fabiano Costa, Luan Coradini, Felipe Jesus e Nil Neves.

Serviço do Espetáculo
    • Temporada: Até 30 de agosto de 2026
    • Dias e Horários: Sextas e sábados às 20h; domingos às 19h
    • Local: Teatro Laura Alvim – Av. Vieira Souto, 176, Ipanema
    • Ingressos: Vendas disponíveis na bilheteria e no portal de Ingressos FUNARJ.

Crítica Teatral: A Poesia do Afeto Como Resistência aos Anos de Chumbo
 
Mais do que recuperar uma memória histórica, a estreia de Lábios que Beijei se consolida como um triunfo artístico de rara sensibilidade na atual temporada. O texto, primorosamente lapidado por Júlio Kadetti a partir do universo íntimo e autobiográfico de Aguinaldo Silva, mergulha nos subterrâneos da ditadura militar sob uma ótica corajosa. Em vez de se apoiar exclusivamente no panfleto político convencional, a narrativa foca no drama humano e na união civil de sobreviventes que encontram no afeto místico e na boemia a última trincheira contra a opressão violenta dos anos de chumbo.
 
O grande maestro dessa engrenagem é o diretor Marco Miranda. Sua condução é brilhante por injetar uma atmosfera invisível de tensão constante sem jamais soterrar a beleza poética do texto. O ritmo cênico prende o espectador do primeiro ao último minuto, equilibrando a crudeza da perseguição política com a leveza da libertação artística. Amparando essa visão, a produção executiva comandada com absoluto esmero por Isabella Barros e Guilherme DelRio confere ao espetáculo um acabamento impecável, onde som, luz e espaço dialogam em perfeita harmonia.
 
No campo das atuações, o destaque absoluto fica por conta do próprio Guilherme DelRio, que brilha intensamente ao dar vida à complexa personagem Débora Khar. DelRio constrói uma persona magnética, equilibrando doses exatas de vulnerabilidade emocional e altivez cênica, arrancando aplausos sinceros ao traduzir na pele o orgulho de quem resiste simplesmente existindo. Lábios que Beijei encerra sua noite de estreia provando que o teatro respira mais forte quando usa a verdade histórica para iluminar as dores e belezas humanas. Uma obra imperdível.

 

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