Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

O Anjo que a Globo Esqueceu no Umbral: O Elenco de Ouro e o Resgate Necessário de ‘Anjo de Mim’ no Globoplay.

Com elenco estelar liderado por Tony Ramos, Vivianne Pasmanter e José Wilker, o novelão espírita de Walther Negrão completa 30 anos esquecido no umbral do arquivo da Globo e clama...

O Resgate Necessário de ‘Anjo de Mim’ no Globoplay: O Anjo que a Globo Esqueceu no Umbral

Por Denilson Andrade

Rio de Janeiro, 09 de setembro
Se você piscou na metade dos anos 90, provavelmente deixou passar uma das apostas mais ousadas e injustamente empacotadas no limbo da TV Globo. No dia 9 de setembro de 1996, a emissora colocava no ar Anjo de Mim, assinada por Walther Negrão. A missão era quase espiritual: segurar a audiência das 18h surfando na onda do filão místico e kardecista. O resultado? Três décadas depois, a novela ostenta o curioso título de fetiche dos noveleiros por um detalhe crucial: nunca ganhou uma única reprise.
A grande ironia é que, olhando hoje, o fracasso de público na época soa quase como um mistério do além. O elenco era um desfile de grifes em seu auge absoluto. Tínhamos Tony Ramos na pele do atormentado protagonista Floriano; Vivianne Pasmanter brilhando intensamente como Lavínia; Paloma Duarte entregando tudo como a mimada e obstinada Maria Elvira; a elegância sofisticada de Françoise Forton; e o magnetismo de Herson Capri como o implacável vilão Marco Monterey. 
Mas o grande esteio espiritual e dramático da trama ficava por conta do gigante e saudoso Milton Gonçalves. Ele interpretava Mestre Quirino, um artesão autodidata e mentor de Floriano. Quirino operava como o verdadeiro “guru” e conselheiro da história, o homem que compreendia que a existência não terminava no plano terreno e que deu o empurrão crucial para que o protagonista buscasse a terapia de regressão para desvendar suas vidas passadas. Era um papel de imensa sabedoria, defendido com a sofisticação habitual do ator. 
Para deixar a produção ainda mais estelar, a constelação trazia Eduardo Moscovis como o jovem Wagner, Márcio Garcia vivendo o esportivo Nando, a veterana Cláudia Alencar como a fogosa Divina, o talento mirim de Alexandre Lemos e Helena Ranaldi na pele da doce Joana. Como se não bastasse, o mestre José Wilker fez uma participação especial luxuosa na pele de Bianor, o empresário cujo desaparecimento misterioso movimenta a história! Como uma máquina dessas derrapou no Ibope? 
A verdade doa a quem doer: a trama pecou pelo excesso de didatismo. Walther Negrão, engajado na doutrina, levou o tema tão a sério que fez um laboratório científico intenso, chegando a consultar o célebre psiquiatra norte-americano Brian Weiss, o papa da terapia de regressão a vidas passadas. O que era para ser um folhetim ágil acabou, por vezes, parecendo uma palestra espírita densa demais para o horário das seis daquela época. Para piorar, a disputa central de terras entre Floriano e Monterey, que queria derrubar o palacete histórico para construir um shopping, esfriou o romance principal. 
Mas o verdadeiro pecado não foi a audiência morna de 1996; é o apagamento histórico em 2026. Enquanto o Vale a Pena Ver de Novo e o canal Viva insistem em um looping infinito de medalhões dos anos 2000, Anjo de Mim segue trancada a sete chaves. Nem mesmo o Globoplay deu o ar da graça com o folhetim no projeto Resgate. 
Esta obra-prima incompreendida merece urgentemente uma segunda chance no catálogo de streaming. O público mudou, o consumo de novelas mudou, e o sucesso avassalador das reprises de Alma Gêmea, que bebeu exatamente da mesma fonte, prova que o telespectador adora uma boa história de amor transcendental. 
A coluna Denilson Andrade joga a provocação para os diretores de plantão: não passou da hora de desobsidiar essa fita e colocar esse elenco de ouro de volta às telas? Afinal, se a reencarnação existe, a teledramaturgia também merece uma nova vida. O público, desta e de outras encarnações, está pronto para maratonar Anjo de mim. 
Há quem diga que na televisão, assim como na vida, tudo tem sua hora de renascer. Resta saber se o anjo de Walther Negrão terá direito a uma nova encarnação na tela ou se foi condenado ao purgatório definitivo do esquecimento. E você, lembrava dessa? 

 
.
 

0 votos: 0 positivos, 0 negativos (0 pontos)

Deixe uma resposta