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Crítica: Anos 90: A Explosão do Pagode – Uma celebração incompleta que pecou pela exclusão e pelo excesso

Com formato curto, produção do Globoplay ignora hinos do Raça Negra, peca pela ausência de grupos que marcaram os programas de Xuxa Meneghel e dá espaço excessivo ao cantor Thiaguinho.

 

A série p documental Anos 90: A Explosão do Pagode foi um resgate bem-intencionado, mas que deixou de fora nomes essenciais do pagode romântico e do samba que dominaram a programação da TV Globo nos anos 90. A produção também pecou ao dar destaque excessivo ao cantor Thiaguinho, desequilibrando o foco histórico.
Por Denilson Andrade



Colunista de TV do Portal Exposed Brasil
O Apagão Histórico do Raça Negra e o Fenômeno de 1995
O erro mais grave da produção do Globoplay foi relegar o Raça Negra ao quase esquecimento dentro da narrativa. O grupo liderado por Luiz Carlos foi o verdadeiro motor que abriu as portas para todos os outros artistas da década. É simplesmente inadmissível que um documentário focado nessa era ignore o impacto devastador de “É Tarde Demais”. Lançada em 1995, a canção é eternizada logo nos primeiros versos pelo refrão “Olha só você / Depois de me perder / Veja só você, que pena…”. A faixa alcançou um sucesso sem precedentes, consolidando-se em primeiro lugar absoluto nas rádios por meses consecutivos em 1995. A música obteve uma marca tão avassaladora que entrou para o Guinness Book como a mais tocada em um único dia no mundo (com incríveis 600 execuções em apenas 24 horas).
A série desperdiçou a chance de reviver a histeria coletiva daquele período, ignorando a avalanche de sucessos que a banda emplacou na TV de 1992 a 1999. Clássicos absolutos que arrastavam multidões nos palcos globais ficaram de fora, tais como:
  • “Cigana” (1992)
  • “Cheia de Manias” (1992)
  • “Pensando em Você” (1992)
  • “Me Leva Junto com Você” (1995)
  • “Preciso Desse Amor” (1997)
  • “Deus Me Livre” (1999) 
Ausências Sentidas na Tela
Apesar do formato de três episódios da produção dos Estúdios Globo, a série documental ignorou outros artistas que fizeram a alegria dos telespectadores nos programas da emissora. Faltou espaço para grupos fundamentais que ajudaram a pavimentar o sucesso do ritmo no país:
  • Cravo e Canela: com o inesquecível hit “Lá Vem o Negão”, presença constante no Xuxa Hits e Sabadão Sertanejo.

 

  • Ginga Pura: donos de sucessos como “Fruto dos Deuses”, “Você e Toda Gostosa, Bonita e Cheirosa” e “Vergonha na Cara”.

 

  • Dhema: que estourou massivamente com os hits “Volta Pra Mim” (1993) e “O Sonho Não Pode Acabar” (1994).

 

  • Banda Brasil: marcando época com os sucessos icônicos “Olha pra Mim” e “Poderosa”.

 

  • Grupo Raça: imortalizados com os clássicos “Te Amo” (famosa pelos versos “Eu sei, é amor e não é paixão…”), “Eu e Ela” (“Ela e o namorado dela…”) e o estouro de 1994, “Tô Legal” (“Eu tô legal / Vou pensar no futuro…”).

 

  • Razão Brasileira: consagrados nacionalmente com o mega-hit “Eu Menti” (eternizado pelo marcante refrão “O amor faz a gente enlouquecer…”).

 

  • Grupo Pirraça: consagrados com os clássicos “Demorou Para Abalar” e “Inigualável Paixão” (conhecida pelo verso “Amor, te quero do meu lado…”).

 

  • Karametade: que dominou as rádios entre 1997 e 2000 emplacando uma sequência absurda de hits como “Decisão”, “Louca Sedução”, “Nunca Vou Deixar Você”, “Toda Mulher” e o fenômeno “Morango do Nordeste”.

 

  • Adriana Ribeiro: cantando o sucesso “Sempre Sou Eu” no Xuxa Hits.

 

  • Grupo Casa Nossa: pioneiros românticos que invadiram os lares em 1993 com o aclamado álbum capitaneado pelos sucessos “Coisa do Destino” (“Coisa do destino / Um amor menino…”) e “Sabor de Mel”.

 

  • Raça Negra: uma das maiores potências do período, que merecia muito mais tempo de tela e destaque nesse documentário.
O Rico Acervo da Globo no Baú
O maior erro da produção do Globoplay foi não explorar devidamente o vasto acervo da emissora. Nos anos 90, o pagode esteve massivamente na grade da Globo. A série deveria ter resgatado mais imagens dos seguintes programas:
  • Xou da Xuxa
  • Paradão da Xuxa (principalmente a edição especial dedicada inteiramente ao samba)
  • Xuxa Hits (fase áurea entre 1994 e 1996)
  • Planeta Xuxa (com o clássico quadro “Boteco do Planeta”, focado estritamente em samba e pagode, entre 1997 e 2002)
Excesso de Thiaguinho
Outro ponto que incomodou os fãs e estudiosos da música foi a presença superdimensionada do cantor Thiaguinho. Ele apareceu acima da conta nos três episódios, chegando ao ponto de o documentário parecer mais uma edição do projeto Tardezinha do que um registro histórico sobre a década de 90. A supervalorização do artista tirou o foco de outros pioneiros legítimos do movimento que poderiam ter dado depoimentos mais ricos sobre a época real da explosão.

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