Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

A Voz que Virou Assinatura: Zélia Duncan Celebra 45 Anos de Carreira com Humanidade Radical e Novo Álbum

Ao videocast "Conversa vai, conversa vem", artista destrincha bastidores do álbum Agudo Grave e abre o coração sobre o medo de perder a voz.

A Voz que Virou Assinatura: Zélia Duncan Celebra 45 Anos de Carreira com Humanidade Radical e Novo Álbum
Por Denilson Andrade

Colunista de TV, Arte, Cultura e Celebridades
RIO DE JANEIRO — No auge de seus 61 anos e celebrando uma caminhada de 45 anos na música popular brasileira, a cantora e compositora Zélia Duncan foi a convidada central do videocast “Conversa vai, conversa vem”, conduzido pela jornalista Maria Fortuna no portal do jornal O Globo. Em um diálogo profundo, inteligente e sem filtros, a artista destrinchou os bastidores de seu 21º álbum de estúdio, Agudo Grave, destilando reflexões potentes sobre o tempo, sexualidade, superação na saúde e os desafios da arte diante da tecnologia atual.
Abaixo, a estrutura completa dos temas abordados e os principais pontos que marcaram a entrevista:

O Paradoxo do Tempo e do Envelhecimento

Questionada sobre a maturidade, Zélia Duncan rechaçou a nostalgia barata e entregou uma visão pragmática sobre envelhecer sob os holofotes. Ao comentar sobre o impacto estético das redes sociais e fotografias antigas, a cantora disparou: “Não quero mais ver foto minha tão jovem… Tem dia que acordo com 200 anos… Fico no trabalho forte pra gostar do tempo. Não vou gostar, mas não vou amaldiçoar o fato de ficar velha”. Quando Maria Fortuna a indagou se gostaria de retornar aos 15 anos, a resposta foi categórica: “Nunca! Eu com 15, aquela garota que fala grosso, peituda, que não cabe em lugar nenhum? Não, obrigada. Com 61, conheço muito mais o meu lugar”.

A Anatomia de Agudo Grave: Voz e Parcerias

O título do novo trabalho, produzido em parceria com a jovem e prestigiada multi-instrumentista Maria Beraldo, serviu como ponto de partida para discutir a identidade vocal da cantora. Zélia relembrou que, na adolescência, seu timbre grave — herdado das mulheres de sua família — era motivo de profunda vergonha, mas que acabou se tornando sua maior identidade artística. “A voz que me fazia ter vergonha virou assinatura”, pontuou.
Explicando a metáfora do álbum, a artista definiu o grave como o chão, a sustentação necessária para caminhar, e o agudo como o lugar dos sonhos, das dores urgentes e das intensidades. No amor, ela sintetizou o equilíbrio de forma poética: “É agudo e fica grave”.

Visibilidade, Orgulho e Relações Pessoais

O debate sobre sexualidade e visibilidade lésbica ocupou um espaço central na sabatina. Zélia relembrou o desconforto que sentia no início da carreira quando sua orientação sexual era questionada de forma invasiva pela imprensa tradicional, tratada quase como uma “falta de homem”. A virada de chave para o orgulho e para a transformação desse segredo em potência política veio com o tempo e com o apoio crucial de sua mãe.
A cantora também abriu o coração sobre seu casamento com a designer Flavia Pedras Soares, que assina a capa do disco. Duncan compartilhou detalhes da união estável firmada durante a pandemia e comentou, em tom descontraído, sobre a intimidade e o carinho que Flavia mantinha com o ex-marido, o apresentador Jô Soares, revelando o amadurecimento das relações afetivas em sua vida.

“Me Curei no Palco”: A Luta Contra o Câncer

Um dos momentos mais dramáticos e aplaudidos da entrevista foi o relato sobre o diagnóstico de câncer na tireoide. Zélia detalhou o pânico de perder seu principal instrumento de trabalho, a voz, ao receber a notícia médica na véspera de uma turnê em Portugal ao lado da cantora Simone. A decisão de seguir com a agenda e focar na performance musical foi o que a sustentou emocionalmente: “Me curei no palco”, desabafou, lembrando que cantou cada apresentação daquele período com a urgência de quem se despedia das arenas.

Resistência Artística e a “Humanidade Radical”

Ao final da conversa, a colunista e a entrevistada filosofaram sobre o mercado cultural contemporâneo e o avanço da Inteligência Artificial. Discutindo a faixa “E aí, IA?”, Duncan defendeu a necessidade de uma “humanidade radical” para combater a pressa das plataformas digitais e o consumo efêmero de música. Defendeu o risco estético e a coragem de não ficar presa apenas aos grandes hits do passado, como Catedral e Alma. “O artista que não se arrisca está se arriscando terrivelmente”, concluiu a veterana.

Minha Análise: A entrevista de Zélia Duncan à Maria Fortuna no Jornal O Globo não é apenas um material de divulgação de um novo disco; é uma aula de longevidade, altivez e sobrevivência artística. Para a nossa coluna no portal Exposed Brasil, o depoimento de Duncan serve como um lembrete do papel que as verdadeiras celebridades desempenham: o de usar a própria vulnerabilidade como espelho e força para o público. Uma trajetória para ser aplaudida de pé.

0 votos: 0 positivos, 0 negativos (0 pontos)

Deixe uma resposta