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Coluna: TV, Arte, Cultura e Entretenimento
Por: Denilson Andrade
Rio de Janeiro, 05 de Agosto de 2026
Coluna: TV, Arte, Cultura e Entretenimento
Por: Denilson Andrade
Rio de Janeiro, 05 de Agosto de 2026
A Magnitude Rara de Nathalia Timberg: O Olhar que Impõe Respeito e a Voz que Moldou a nossa História
Existem profissionais que exercem com maestria o seu ofício, mas existem raros ícones, espécies especiais difíceis de surgirem novamente, que se tornam o próprio sinônimo da profissão que abraçaram. Como admirador assíduo e fã confesso do seu trabalho, olho para a trajetória de Nathalia Timberg — que hoje completa 97 anos de idade — e tenho a plena convicção de que ela foi milimetricamente moldada pelo universo para ser a nossa maior e mais fascinante operária da arte dramática.
Sua sofisticação não é por acaso. Carioca, Nathalia formou-se na Escola de Belas Artes da antiga Universidade do Brasil (atual UFRJ). Pouco depois, sua dedicação lhe rendeu uma bolsa de estudos do governo francês, levando-a a morar em Paris entre 1951 e 1954 para estudar artes cênicas. Foi na Europa que lapidou a disciplina férrea e a técnica impecável que trouxe de volta ao Brasil, estreando profissionalmente nos palcos em Senhora dos Afogados, de Nelson Rodrigues.
No teatro, ela foi criada no Teatro Universitário e amadurecida no lendário Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), colecionando premiações máximas como o Prêmio Shell, o Troféu Mambembe, o Prêmio APCA e duas vezes o prestigiado Prêmio Molière. No cinema, emprestou sua presença a clássicos como Viagem aos Seios de Duília (1964) e o recente Vendo ou Alugo (2013).
A Soberania na Televisão Brasileira
Na televisão, Nathalia é uma das poucas lendas vivas a ter deixado sua marca indelével nas principais emissoras do país. Na TV Tupi, parou o Brasil como a inesquecível Maria Helena de Juncal no estrondoso sucesso O Direito de Nascer (1964), além de brilhar em As Bruxas (1970) e Rosa dos Ventos (1973). Teve passagens marcantes pela TV Manchete (como na icônica primeira versão de Pantanal em 1990) e pelo SBT, sempre elevando o nível de qualquer produção.
Mas foi na Rede Globo que ela eternizou vilãs e mocinhas que moldaram o nosso imaginário. Quem não se lembra da altivez hipnotizante de Constância Eugênia em O Dono do Mundo (1991), da perversidade refinada de Idalina em Força de um Desejo (1999), ou de sua sensibilidade em Insensato Coração (2011) e Amor à Vida (2013)? Mais recentemente, quebrou tabus históricos ao protagonizar ao lado de Fernanda Montenegro um lindo casal na novela Babilônia (2015).
O Assombro da Interpretação Visceral
O que mais me fascina em Nathalia, como colunista e crítico, são suas qualidades orgânicas avassaladoras. Ela possui um timbre de voz forte, grave, imponente e absolutamente inconfundível. No entanto, sua genialidade permite que, nas cenas de maior densidade dramática, ela consiga extrair agudos lancinantes desse mesmo registro grave — um grito puramente dramático e dilacerante que ecoa na alma do telespectador.
Somado a isso, seu olhar rasgado é um dos mais potentes já vistos em cena. É um olhar que impõe um respeito imediato e que chega a intimidar quem ousa desafiá-la. Essa magnitude visceral era tão real que ultrapassava a ficção. Nos bastidores de A Sucessora (1978), na qual Nathalia interpretava a sombria governanta Juliana, a grandiosa Susana Vieira confessou que sentia um verdadeiro pavor físico de atuar com ela. Susana revelou em entrevistas que a interpretação de Nathalia era tão arrebatadora que, em uma cena emblemática, ela chegou a se espetar de verdade com os espinhos de uma rosa. O receio e o medo de Susana diante daquela voz forte e do olhar cortante de Nathalia eram reais, provocados pelo impacto de estar diante de uma gigante cênica.
Aos 97 anos recém-completados, após ter sido belissimamente homenageada na tradicional escola de teatro CAL (Casa das Artes de Laranjeiras) onde emocionou a todos, Nathalia Timberg continua intacta e necessária. Hoje à noite, estarei no Teatro Fashion Mall para aplaudir, reverenciar e agradecer de perto a essa dama. Nós não apenas assistimos a Nathalia Timberg; nós somos transformados por ela










