O jornalismo brasileiro amanheceu em silêncio e profundamente mais triste. Na manhã desta quinta-feira, 16 de julho, o icônico jornalista Renato Machado nos deixou aos 83 anos, no Rio de Janeiro. Internado na Clínica São Vicente, o mestre das notícias partiu deixando um vazio irreparável, mas também um legado que dita os rumos e a estética do telejornalismo moderno no país.
Falar de Renato Machado em uma coluna de TV é falar sobre a própria evolução da nossa tela. Com mais de quatro décadas dedicadas à TV Globo, Renato não era apenas um apresentador; ele era sinônimo de credibilidade, sofisticação e, acima de tudo, serenidade. Aqueles que acompanharam as manhãs da televisão brasileira entre 1996 e 2011 lembram perfeitamente do impacto de sua presença no comando e na edição-chefe do Bom Dia Brasil. Ao lado de grandes parceiras, especialmente Renata Vasconcellos, ele transformou o matinal. O telejornal, que antes carregava um formato político engessado, ganhou dinamismo, leveza e uma linguagem de crônica cotidiana que aproximava o público dos fatos mais complexos do mundo.
A bagagem de Renato era imensa. Ele iniciou sua jornada profissional em 1969 no Jornal do Brasil e chegou à televisão em 1982. Logo em seus primeiros passos na nova mídia, encarou o desafio de cobrir a Guerra das Malvinas. Pouco depois, em 1983, assumiu o posto de correspondente internacional em Londres. De lá, com o olhar apurado e o texto impecável que viraram sua marca registrada, narrou para os brasileiros eventos históricos que moldaram o planeta, como os atentados terroristas em Paris em 1986 e o trágico desastre nuclear de Chernobyl. Passou também pelas bancadas do Jornal da Globo, RJTV e pelo rodízio do Jornal Nacional, mostrando versatilidade em cada estúdio que pisou.
Para além do factual pesado, Renato nos ensinou a apreciar a vida. Sua paixão pela gastronomia, pela cultura e pelo universo dos vinhos transbordava na tela, culminando em reportagens inesquecíveis para o Globo Repórter e projetos especiais após sua saída da emissora em 2021. Ele provou que o jornalismo de alto nível não precisa ser rígido; ele pode ser elegante, culto e profundamente humano.
Em uma de suas declarações ao projeto Memória Globo, Renato definiu o fazer jornalístico como um “universo de aprendizado permanente”, onde o acúmulo de conhecimento técnico e textual se renova a cada erro e acerto. Nós, espectadores e profissionais de comunicação, fomos os grandes beneficiados dessa sua busca incansável pela perfeição na simplicidade.
A coluna de hoje presta as mais sinceras condolências aos familiares, amigos e aos milhares de órfãos de sua voz firme e acolhedora. Renato Machado não apenas noticiou a história: ele fez e sempre será parte dela. Descanse em paz, mestre.










