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O Canto, o Luto e o Brilho dos Palcos: Sylvia Massari Abre o Coração no ‘Ser Artista Podcast’ e Revela que Perpetuará o Legado e a Obra de Guto Graça Mello Junto com as Filhas

Em entrevista marcante a Marcus Montenegro, a atriz repassa sua trajetória primorosa, relembra os bastidores de sua história de amor de 36 anos com o lendário diretor e antecipa detalhes...

Coluna Denilson Andrade

Rio de Janeiro, 04 de Setembro de 2026

O Canto, o Luto e o Brilho dos Palcos: Sylvia Massari Abre o Coração no ‘Ser Artista Podcast’ e Revela que Perpetuará o Legado e a Obra de Guto Graça Mello Junto com as Filhas

Se existe uma voz capaz de transitar entre a sofisticação do teatro musical e a comédia rasgada com a mesma genialidade, essa voz é de Sylvia Massari. Em uma participação absolutamente arrebatadora no Ser Artista Podcast, a atriz e cantora entregou uma entrevista profunda e marcante. Conduzido por seu próprio empresário artístico, Marcus Montenegro, o bate-papo foi um misto de nostalgia, revelações de bastidores e a dolorosa entrega emocional sobre o luto. Durante a conversa, Marcus relembrou com imensa alegria que foi muito feliz ao conhecer Sylvia através de Fafy Siqueira, exatamente na época em que ele produzia o aclamado espetáculo Noviças Rebeldes. Hoje, ao olhar para trás e resgatar esse momento histórico em que os dois se conheceram, ele constata com orgulho que tudo valeu a pena.
Marcus aproveitou para recordar que, além de ter apresentado Sylvia a ele, Fafy Siqueira foi a primeiríssima atriz que ele empresariou na vida. Ela acreditou no potencial dele quando ele era superjovem, assim como ele apostou nela em início de carreira. Sylvia, inclusive, enfatizou que mesmo naquela época de juventude, Marcus já era extremamente sério e focado em sua profissão. Com total transparência, ela admitiu que conduzia mal a própria carreira no passado e retificou a importância crucial de se ter um agente para negociar trabalhos e valorizar o passe do artista.
Mais do que uma entrevista, o encontro foi uma pura manifestação de afeto: em uma simbiose matrimonial inexplicável, Sylvia e seu marido, o lendário diretor e produtor musical Guto Graça Mello, viveram 36 anos de união onde amor e trabalho eram intrínsecos. Não havia projeto dele que ela não opinasse, e nada que ela fizesse que não levasse as duas mãos e o coração de Guto.

A Dor do Luto, a Rede de Apoio e a Força da Fé

Sylvia abriu o peito sobre o golpe brutal que sofreu com a partida de seu companheiro e grande amor, que faleceu em maio. Ela revelou chorar todos os dias e que as manhãs são os momentos mais difíceis, lidando com uma lacuna impossível de ser preenchida. Ecumênica, contou que quando Guto ficou 37 dias internado, recorreu a orações de todas as religiões. Nessa tempestade, seu porto seguro foi Claudia Carino, irmã de Marcus Montenegro. Foi Claudia quem incutiu a espiritualidade kardecista em Sylvia, servindo como um amparo fundamental a quem a atriz sempre recorria pedindo apoio e suporte nos momentos de cirurgia do marido. Como parte de seu processo de cura e buscando espairecer depois desse período tão difícil e nebuloso, a atriz revelou que já está com a passagem comprada para a Europa. Ela passará uma temporada na Áustria, onde mora seu filho Max, buscando o acolhimento familiar necessário para atravessar o luto.
Para tentar atenuar essa dor em solo brasileiro antes de embarcar, Sylvia está fazendo terapia, processo profissional que, antes, só havia experimentado através de conselhos de outra amiga inesquecível, a grande atriz Claudia Jimenez. O acompanhamento terapêutico tornou-se indispensável para que ela consiga dar seguimento aos ensaios de um monólogo que estava lendo. O espetáculo traz os encantos de cinco músicas escritas por Guto e, no início, ela desabava ao ouvi-las. Agora, busca equilíbrio emocional para voltar aos palcos. Durante o período de internação, o peso de Guto no meio artístico ficou evidente: nomes como Boni e Roberto Carlos ligavam para o hospital apara saber como o Guto estava, e Marcus enfatizou que a imprensa celebrou a partida do produtor à altura do gigante que ele foi.

A Missão de uma Vida: Perpetuar e Cuidar do Acervo de Guto

Ao longo de toda a entrevista, Sylvia deixou claro que sua grande missão de vida agora é cuidar pessoalmente do acervo de Guto, com a firme intenção de perpetuar, propagar e manter viva toda a vasta obra musical e artística deixada por ele. Essa incumbência de preservar a memória do produtor será dividida com as filhas dele, Marinella e Natasha Graça Mello, que vivem nos Estados Unidos. O acervo é monumental: Sylvia guarda em sua residência, todos os discos de ouro, platina e diamante do produtor. Duas museólogas do Museu da Imagem do Som (MIS) visitaram o local e ficaram fascinadas. A partilha já está desenhada: um disco ficará com Sylvia, os outros com as filhas e uma parte será doada ao MIS.
A instituição carioca provavelmente abrigará uma sala dedicada a Guto, reunindo relíquias históricas como as partituras originais do inconfundível tema do programa Fantástico, composto por ele, além dos arranjos e partituras de Canta Brasil, eternizada na voz de Gal Costa como tema de abertura da novela Deus nos Acuda (1992), ao lado de tantas outras obras antológicas que ele compôs e produziu ao longo de décadas. Dedicada a propagar esse legado, Sylvia planeja criar um site para disponibilizar cerca de 30 HDs repletos de preciosidades da carreira do marido, incluindo a gravação de uma composição inédita dele com Rita Lee, interpretada de forma belíssima pela promissora cantora Mariana Mug, artista de rua que foi descoberta e apadrinhada por Guto em Lisboa para gravar o último disco produzido em vida por ele. Um documentário através de Lula Vieira também está nos planos, embora sem formato definido, aproveitando os inúmeros depoimentos que Guto deixou gravados, inclusive para o projeto Memória Globo.

O Livro Póstumo em Novembro: Revelações Fortes nos Bastidores

O lançamento do livro biográfico de Guto promete ser um acontecimento histórico e, segundo as novas informações, a Globo Livros se prepara para lançar a obra oficialmente em novembro. O projeto traz um peso emocional gigantesco: o icônico Boni assina o prefácio em parceria com Lula Vieira, chancelando a importância da obra. A biografia, porém, carrega o desabafo de um momento muito triste e revoltante do passado. Sylvia revelou que Guto passou três anos trabalhando com um indivíduo desonesto, um pseudoautor cujo nome ela se recusa terminantemente a citar. Guto dedicou dias e mais dias em frente ao laptop dando longas entrevistas, além de intermediar a coleta de depoimentos valiosos de grandes personalidades que trabalharam com ele. Cruelmente, após ter todo esse material em mãos tanto os relatos do produtor quanto os depoimentos das celebridades da nossa cultura, esse homem simplesmente desapareceu sem deixar rastro, deixando o produtor profundamente frustrado e com o projeto roubado.
A reviravolta e a justiça poética vieram quando o jornalista Claudio Henrique entrou na história. Ele foi o autor responsável por assumir a missão e reescrever a biografia oficial, intitulada A MPB que ninguém ouviu, que chega ao público de forma póstuma. Essa conexão salvadora e os bastidores do projeto contaram diretamente com o envolvimento do publicitário, radialista e escritor Lula Vieira. Claudio Henrique recuperou o fôlego da narrativa e concluiu a aguardada obra. Selando o livro com chave de ouro, Sylvia Massari escreveu o último capítulo, onde relata minuciosamente os últimos momentos vividos ao lado de Guto. A atriz entrega que essa parte final ficou extremamente emocionante, uma leitura que ela inclusive se recusou a recitar no podcast para não chorar de tanta saudade.

O Fenômeno ‘Noviças’, os Cupidos Oficiais e o Sucesso de Maria Santa

Um dos pontos altos do reencontro de Sylvia e Marcus foi relembrar o fenômeno de Noviças Rebeldes. Sylvia revelou com orgulho que as atrizes do elenco são unidas até hoje, mantendo um grupo ativo no WhatsApp. A ligação é tão profunda que ela é madrinha de casamento de Totia Meireles. Em um momento descontraído, Marcus jogou a ideia de retornar com o espetáculo aos palcos, e Sylvia endossou na hora, garantindo que seria um estrondoso sucesso, já que o gênero dos musicais está em altíssima receptividade com o público atual. Vale lembrar que a montagem original nos anos 80, no Teatro da Lagoa, arrastava multidões e contava com Xuxa Meneghel como tiete assídua na primeira fileira.
As histórias de bastidores amorosos também agitaram o papo. Sylvia relembranou que jogou uma de “cupido” e foi a responsável por unir Totia Meireles ao seu atual marido. Por ironia do destino, ela também teve seu próprio cupido no passado: a ex-Frenética Dhu Moraes foi quem uniu Sylvia a Guto Graça Mello, . E, falando em grandes momentos, ela relembrou com enorme carinho o seu maior sucesso absoluto no universo do humor na televisão: a inesquecível e aclamada boneca Maria Santa, que marcou gerações e divertiu milhões de brasileiros.

Menina dos Olhos Lindos: Do Balé no Gelo ao Humor com Moacyr Franco

Aos 79 anos, Sylvia Massari esbanja uma vitalidade impressionante. Com uma genética rara, mantém os cabelos incrivelmente loiros sem um único fio branco, faz apenas luzes para clarear, e uma voz intacta com extensão de três oitavas acima. Embora brinque que é displicente no dia a dia, revela ser rigorosa em temporada: estudou canto com Vera do Canto e Mello e chega a não jantar antes dos shows para evitar refluxo. Sua paixão pela música vem de berço; sua mãe dizia que ela cantou antes de falar “mamãe”. Ganhou seu primeiro concurso aos 3 anos, segurando um cabo de vassoura decorado com uma borboleta, cantando Adeus Sarita. Chegou a estudar canto lírico na juventude, mas desistiu por achar que não daria sustento.
Seus filhos seguiram caminhos brilhantes: apaixonados por ópera desde os 6 anos ao ouvirem Carmina Burana, Max hoje mora na Áustria, e seu outro filho, um executivo e consultor financeiro de sucesso que vive no avião entre a Índia e a Europa, está de mudança para o Rio. Antes de se casar, Sylvia relembrando que morou por 9 anos na Gávea, na fase de namoro com Guto, aguardando pacientemente a transição para que a filha dele, Marinella, se mudasse para o apartamento que o produtor havia comprado para ela. Só depois que a jovem se estabeleceu em seu próprio espaço é que o casal foi viver junto, oficializando a união em 1999.
Relembrando outras passagens de sua rica trajetória, Sylvia contou que, antes de brilhar nos palcos, trabalhou na General Motors por seis meses como recepcionista. Foi exatamente nesse período que ela conheceu Roberto Carlos. O Rei apareceu na concessionária para comprar um automóvel, lhe deu um autógrafo especial (quando ela ainda assinava como Carmem Sylvia) e, logo depois, ao dar entrevista em uma rádio, dedicou a música que cantava à “menina dos olhos mais lindos que já viu”. Fora das empresas e dos palcos tradicionais, ela também foi patinadora na juventude, viajando pelo Brasil e fazendo apresentações de patinação até no Fantástico.
Sua entrada definitiva para o teatro e humor aconteceu quando o Moacyr Franco buscava uma atriz anônima para substituir Marília Pêra em um espetáculo. No teste na TV Tupi, ao perguntarem se ela cantava, o papel foi seu. Ali, ao lado de Moacyr, ela se descobriu no humor, gênero onde mais brilhou na carreira. Curiosamente, a atriz reflete que, apesar de sua trajetória primorosa nos palcos, nunca teve um papel de grande importância na televisão.
Para fechar com chave de ouro, Sylvia encerrou o episódio recitando um texto marcante trazido por Marcus Montenegro, definindo perfeitamente o espírito da atração: o Ser Artista Podcast é, essencialmente, “gente interessada em gente interessante”.

 

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