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O Salto Agulha do Plim-Plim: Tatá Werneck assume a caneta das 23h com alta costura, deboche e uma inédita “Escola de Drags”

Com sinopse aprovada, humorista ganha carta-branca da Globo para dissecar o universo das drag queens em folhetim arrojado, político e despido de nostalgia.Em movimento estético brilhante, nova novela das onze...

 

COLUNA DENILSON ANDRADE

TV, Arte, Cultura e Celebridades — Especial para o Exposed Brasil


O Salto Agulha do Plim-Plim: Tatá Werneck assume a caneta das 23h com alta costura, deboche e uma inédita “Escola de Drags”

Por Denilson Andrade

Rio de Janeiro
Esqueçam o realismo fantástico tardio ou os dramas burgueses requentados que costumam habitar as gavetas do Projac. A grande reviravolta da temporada atende pelo nome de Tatá Werneck, uma artista que há muito tempo deixou de pedir licença para se tornar a dona da mesa. No ar arrebatando a crítica e o público na densa pele de Brigitte em Quem Ama Cuida — e dividindo os créditos criativos do humorístico E.T. – Edu e Tatá —, Tatá acaba de cravar sua bandeira no território mais sagrado e complexo da televisão brasileira: a autoria de novelas.
Esta coluna, que não dorme no ponto e cultiva o faro apurado para o que há de mais vanguardista no show business, dissecou os bastidores do novo projeto da humorista para a TV Globo. A sinopse, que já recebeu o sinal verde definitivo da alta cúpula da emissora, está em estágio avançado de desenvolvimento de roteiro. Trata-se de uma produção sob medida para a icônica faixa das 23h, um horário tradicionalmente reservado para narrativas mais ousadas, sensuais e despidas de pudores caretas.
O grande trunfo da narrativa — e eixo central que promete chacoalhar as estruturas do folhetim eletrônico — é um núcleo ambientado em uma escola de drag queens. Longe do tom caricato ou do alívio cômico puramente fútil, a proposta de Tatá é fazer um mergulho profundo, esteticamente impecável e moderno no universo da arte transformista e da comunidade LGBTQIAPN+. Imagine o texto ágil, milimetricamente irônico e sagaz de Werneck costurado ao glamour, ao exagero visual, às dublagens milimetricamente ensaiadas e às dores reais de quem faz do corpo uma tela política e artística. É sofisticação pura com os pés fincados na cultura pop.
Para os puristas que já começavam a espalhar boatos nos salões do Rio e de São Paulo, um banho de água fria: Miguel Falabella não fará parte do projeto. Embora rumores recentes apontassem uma colaboração de peso entre os dois criativos, fontes quentes confirmam que a novela caminha em voo solo sob a assinatura autoral da própria comediante. Tatá quer imprimir seu DNA de forma crua, ágil e contemporânea, distante das fórmulas tradicionais de outrora.
Nos corredores da emissora, o burburinho é um só: quem ocupará o cargo de “Diretora da Escola”? As redes sociais, é claro, já clamam por divas magnas como Pabllo Vittar encabeçando o elenco. O que se sabe, por hora, é que o projeto une o útil ao altamente rentável. A faixa das 23h ganhará uma atmosfera de cabaré moderno, discutindo aceitação, mercado de arte e sobrevivência urbana com aquele humor ácido que só Tatá consegue equilibrar com a vulnerabilidade dramática.
A TV Globo, ao chancelar essa sinopse, prova que entendeu o recado dos novos tempos: o público não quer apenas histórias para assistir antes de dormir; quer espetáculo, inteligência e subversão. Tatá Werneck vai entregar exatamente isso, calçando salto agulha e munida de uma caneta afiadíssima. Segurem as perucas, porque o show vai começar.

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