A encruzilhada madura de Anitta: o que esperar do ‘Conversa com Bial’ de hoje
Gravada no Armazém da Utopia, entrevista expõe os bastidores do álbum ‘Equilibrivm’, o recuo estratégico do mercado internacional e a estreia da cantora como protagonista no cinema da Globo
Por Denilson Andrade
A noite de hoje na TV Globo promete entregar mais do que uma simples entrevista de entretenimento. Logo após a exibição de Estrelas da Casa, o Conversa com Bial traz uma Anitta despida das urgências do mainstream global e totalmente focada em sua reconexão com as raízes brasileiras. Gravado no emblemático Armazém da Utopia, na zona portuária do Rio de Janeiro, o encontro com Pedro Bial ganha contornos de balanço de carreira, marcando o topo de uma verdadeira “overdose” da artista na grade da emissora neste mês de agosto.
Para além do carisma habitual, o telespectador verá uma Anitta analítica, que entendeu o teto de sua projeção no mercado norte-americano e decidiu que era hora de priorizar a própria saúde mental e a proximidade com o Brasil. A seguir, destrinchamos os principais eixos que conduzirão o programa de logo mais.
A ancestralidade sem pedidos de desculpas
O ponto central do programa gira em torno do amadurecimento estético e espiritual de seu novo álbum, Equilibrivm. O projeto musical — amplamente elogiado pela crítica especializada, incluindo o lendário Nelson Motta — mergulha de cabeça em temas como espiritualidade, brasilidade e religiões de matriz africana.
Na sabatina com Bial, Anitta afasta com firmeza qualquer narrativa de que esta nova fase seja uma rejeição ao seu passado no funk. “Se eu faço um funk para rebolar, aquilo também tem valor, porque fala de uma realidade que existe”, adianta a cantora, defendendo que a sua história é um fio contínuo, onde o sagrado e o profano convivem em perfeita harmonia.
Musicalmente, o programa será um deleite. Acompanhada por arranjos refinados, ela apresentará ao vivo faixas fortes do disco, como Eu Não Sou Santa (parceria com Mestrinho), Não Me Cutuca (com Alceu Valença) e a impactante Ogum Me Rodeia. O ápice emocional, contudo, promete ser o momento em que Bial exibe um depoimento em vídeo de Maria Bethânia chancelando o novo trabalho da popstar — uma espécie de “benção” que Anitta define na entrevista como a assinatura definitiva de validação artística.
Nina e as telas: o estresse do novo ofício
Bial também joga luz sobre o novo flerte da artista: a atuação cinematográfica. Anitta detalha os bastidores de sua estreia como protagonista em um longa-metragem dos Estúdios Globo, dirigido pelo prestigiado Fellipe Barbosa. Na trama, ela interpreta Nina, uma jovem que herda um imóvel no interior e precisa lidar com as transformações decorrentes dessa venda.
Longe de romantizar a transição de carreira, Anitta usa o espaço para desabafar sobre o quão exaustiva foi a rotina do set. A experiência, segundo ela, serviu tanto para aumentar drasticamente seu respeito pelo trabalho dos atores quanto para fazê-la entender a urgência de desacelerar. Foi o estresse desse projeto, inclusive, que a motivou a engatar o freio de mão na engrenagem implacável da carreira internacional e voltar a focar no público de seu país natal.
A mentoria no ‘Estrelas da Casa’
Por fim, a conversa amarra a atual presença da cantora na programação como conselheira do novo reality musical da emissora. Ao falar sobre o papel de mentora, Anitta indica que sua contribuição aos participantes vai muito além da técnica vocal. O foco ali é o “além-palco”: estratégia de mercado, posicionamento de imagem, resiliência psicológica e a compreensão das muitas engrenagens comerciais e artísticas que sustentam uma carreira de longevidade na música.
O diagnóstico que Pedro Bial faz na abertura da atração resume com precisão a atual conjuntura da artista: Anitta chegou a uma encruzilhada de escolhas. Ela poderia continuar repetindo fórmulas estéreis de alcance internacional, mas escolheu expandir sua própria narrativa. A entrevista de hoje à noite não é apenas sobre música; é o retrato de uma empresária e artista que tomou as rédeas do próprio destino e descobriu que o verdadeiro equilíbrio estava em voltar para casa.











