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A urgência atemporal de Guarnieri: ‘Eles Não Usam Black-Tie’ ganha os palcos do CCJF sob o comando cirúrgico de João Velho

A urgência atemporal de Guarnieri: 'Eles Não Usam Black-Tie' ganha os palcos do CCJF sob o comando cirúrgico de João Velho Em jornada dupla emblemática, diretor também assume papel...

A urgência atemporal de Guarnieri: ‘Eles Não Usam Black-Tie’ ganha os palcos do CCJF sob o comando cirúrgico de João Velho
Em jornada dupla emblemática, diretor também assume papel em cena; montagem da Única Companhia de Teatro destaca Bruna Kury em papel-chave
Por Denilson Andrade

Colunista de TV, Arte, Cultura e Entretenimento

Rio de Janeiro
 
Há textos que se recusam a envelhecer porque carregam na sua gênese as contradições mais profundas da identidade nacional. É sob o signo dessa urgência que o clássico “Eles Não Usam Black-Tie”, obra-prima escrita por Gianfrancesco Guarnieri em 1956, retorna aos palcos cariocas para uma curta e necessária temporada no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), no Centro do Rio.
 
A montagem, realizada pela Única Companhia de Teatro, revisita o icônico drama operário transposto para o cenário de uma comunidade do Rio de Janeiro. Na trama, os preparativos para uma greve metalúrgica tornam-se o estopim para uma colisão inevitável entre o pragmatismo individual do jovem Tião e a força da luta coletiva defendida por sua família. Trata-se de um teatro político em sua melhor forma: humano, denso e visceral.
 
O virtuosismo da dupla jornada
 
O grande pilar desta encenação reside no talento multifacetado e na entrega absoluta de João Velho. Desafiando os limites do fazer teatral tradicional, o encenador assume uma complexa e impecável dupla jornada: assina a direção geral do espetáculo e, simultaneamente, habita a cena ao interpretar o personagem João.
 
A direção de João Velho sobressai pela precisão milimétrica. O diretor consegue equilibrar com maestria o respeito histórico à densidade política do texto original com uma pulsação contemporânea, fluida e de forte apelo racional para o público. Conduzir uma obra de tamanha carga dramática a partir das coxias já seria uma tarefa hercúlea; desdobrar-se para o palco exige um amadurecimento técnico raro, que se reflete na coesão cirúrgica de todo o elenco. Sob sua batuta refinada, as cenas ganham uma verdade cortante.
 
Bruna Kury: magnetismo e promessa em cena
 
É justamente sob esse ambiente de rigor estético e frescor interpretativo que brilha o talento de Bruna Kury. Defendendo o papel da emblemática personagem Terezinha (dividido em esquema de alternância com Mara Uchoa), a jovem atriz carioca de 30 anos consolida seu espaço como um dos nomes mais promissores da atual safra do teatro fluminense.
 
Bruna entrega uma atuação magnética, pautada em uma sensibilidade crua que hipnotiza o espectador do início ao fim. Sua forte presença cênica confere à personagem uma dignidade e uma voltagem dramática que ajudam a amarrar os momentos de maior tensão da peça. É uma intérprete de recursos sólidos, cuja ascensão no circuito cultural justifica os aplausos e o merecido destaque que vem recebendo.
 
O elenco, altamente equilibrado, dá corpo e alma a um retrato social brasileiro que continua ecoando com assustadora fidelidade na nossa realidade contemporânea. A temporada segue até o fim de agosto no Centro do Rio.
 
Abaixo, deixarei a ficha técnica completa deste espetáculo necessário, que discute os choques entre os desejos individuais e a força da luta coletiva.
 
📋 FICHA TÉCNICA
    • Texto: Gianfrancesco Guarnieri
    • Direção: João Velho
    • Elenco: Pedro Rocha (Otávio), Nino Batista (Tião), Tai Xavier (Maria), Laura Campos Braz (D. Romana), João Velho (João), João Amorim (Juvêncio e Jesuíno), Vini Venancio (Chiquinho), Mara Uchoa e Bruna Kury (Terezinha), Ricardo Lopes (Bráulio) e Tatiane Melo (Dalva)
    • Orientação Corporal: Marcia Rubin
    • Supervisão Musical: Gabriela Geluda
    • Preparação Vocal: Isabel Schumann
    • Iluminação: Zezinho da Luz
    • Cenografia: Nino Batista e Diogo Drosa
    • Figurino: Eder Ferreira
    • Programação Visual: Isabel Escobar
    • Operação de Som: Camila Pacifico
    • Operação de Luz: Safo
    • Comunicação: Tai Xavier
    • Assessoria de Imprensa: Prisma Colab
    • Coordenação de Produção: Laura Campos Braz
    • Assistência de Produção: Lavinia Diniz
    • Direção de Produção: Hildo de Assis
    • Produção Executiva e Realização: Hassis Produções
    • Companhia: Única Companhia de Teatro


🎭 SERVIÇO
    • Espetáculo: Eles Não Usam Black-Tie
    • Temporada: De 07/08/2026 até 30/08/2026
    • Dias e Horários: Sextas, sábados e domingos, às 19h
    • Duração: 130 minutos | Classificação: 14 anos
    • Valor: R$ 50 (inteira) / R$ 25 (meia)
    • Teatro: CCJF – Centro Cultural Justiça Federal
    • Endereço: Av. Rio Branco, 241, Centro, Rio de Janeiro/RJ (CEP: 20040-009)
    • Estacionamento Próximo: Avenida Rio Branco, 290
    • Ingressos Antecipados: Plataforma digital Sympla Oficial. 


 

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