A estreia da turnê “O Último Voo da Nave” em São Paulo transformou o estádio em um portal temporal de afeto. A superprodução contou com uma megaestrutura tecnológica em 360°, o retorno emocionante de 13 ex-Paquitas de diferentes gerações e um repertório com mais de 30 clássicos executados sob um coro monumental. O próximo espetáculo na capital paulista está confirmado para a próxima sexta-feira, 31 de julho de 2026.
A Grandeza de um Mito: O Início da Catarse Coletiva
Por Denilson Andrade
Na noite do último sábado, 25 de julho de 2026, o Nubank Parque testemunhou um evento que transcendeu o formato tradicional de um concerto pop. O pontapé inicial da turnê de despedida da Rainha dos Baixinhos arrastou mais de 50 mil espectadores ao estádio paulista para uma catarse coletiva e multigeracional. Horas antes da abertura dos portões, filas quilométricas já tomavam os arredores da arena. O público ansiava pelo reencontro com os símbolos que moldaram a infância de milhões de brasileiros. A atmosfera nostálgica foi inaugurada pelo DJ Tico Malagueta, que aqueceu a plateia vestido com um figurino inspirado no universo da apresentadora.
Modernidade Futurista, Ativismo e a Magia do Reencontro
O show dividiu-se em seis atos meticulosamente planejados para reviver os 45 anos de carreira da artista. No instante mais aguardado, a icônica nave espacial decolou e sobrevoou o público, liberando uma densa fumaça cenográfica enquanto Xuxa surgia do alto do palco entoando os primeiros versos de Doce Mel. Embalada por figurinos arrojados de estética futurista, a cantora percorreu hinos como Ilariê e Lua de Cristal, acompanhada por 13 ex-Paquitas no palco — incluindo lendas das eras Xou da Xuxa, New Generation e Geração 2000. Assistentes marcantes que não integraram o corpo de baile físico, como Bárbara Borges, ganharam tributos projetados nos enormes telões de LED.
Mais do que um espetáculo musical com 35 faixas no roteiro, a noite transformou-se em um palanque de conscientização e afeto. Durante a performance de Arco-Íris, Xuxa envolveu-se na bandeira LGBTQIA+ e discursou firmemente contra a homofobia. A Rainha também usou seu espaço para defender causas ambientais, o veganismo (“não consuma animais, você tem escolha, eles não”) e a inclusão social, executando a coreografia de Abecedário da Xuxa inteiramente na Língua Brasileira de Sinais (Libras).
O Adeus Temporário e o Legado em Movimento
No bloco de encerramento, a emoção tomou conta quando a artista subiu ao palco central em uma aparição quase mística. Conduzindo uma mensagem tocante de autoajuda e amor ao próximo, ela conectou-se de forma profunda com os “altinhos”, estimulando o reencontro de cada adulto ali presente com a sua própria criança interior. Sob aplausos ensurdecedores, Xuxa despediu-se com o clássico bordão Beijinho, Beijinho e carimbou um “X” eterno na história do entretenimento nacional. A nave se prepara para seu próximo pouso em São Paulo na próxima sexta-feira, dia 31 de julho de 2026, antes de seguir viagem rumo a Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.










