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A Autofagia Elegante de Nicole Musafir: Por que Você Precisa Correr para a Laura Alvim Antes que Setembro Acabe

Com sessões às quartas e quintas-feiras, "Pra Quem Não Me Conhece" une música, desabafo e design visual moderno; ingressos já estão rareando na bilheteria digital.

COLUNA DENILSON ANDRADE

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Coluna de TV, Arte, Cultura e Celebridades

A Autofagia Elegante de Nicole Musafir: Por que Você Precisa Correr para a Laura Alvim Antes que Setembro Acabe

Por Denilson Andrade

Rio de Janeiro, 16 de setembro de 2026
Há um charme quase voyeurista e confessional na exposição pública de diários de infância, sobretudo o voyeurismo da plateia é mediado por uma sofisticação estética cortante. “Pra Quem Não Me Conhece”, o espetáculo-confissão idealizado, escrito e protagonizado por Nicole Musafir, em cartaz no intimista Espaço Rogério Cardoso da Casa de Cultura Laura Alvim, é exatamente esse petisco fino que o establishment teatral carioca precisava para despertar de certa letargia burguesa.
A premissa parte de um insolúvel bloqueio criativo. Para desatá-lo, Musafir faz um movimento arrojado e pragmaticamente terapêutico: coloca em cena suas versões de 6, 12 e 17 anos em um escrutínio cirúrgico. No palco, o que se vê não é um mero stand-up humorístico e tampouco um melodrama choroso; trata-se de um ensaio híbrido de comédia, musicado com precisão milimétrica pelo piano de Ceci Nery. Canções adolescentes, como a deliciosamente cínica “Evite Apaixonar” — composta pela atriz aos 13 anos —, elevam o tom da noite para uma mordacidade irresistível.
A engenharia visual do projeto emoldura essa catarse com precisão cirúrgica. O cenário e figurino assinados por Pedro Stamford criam a atmosfera exata de um claustro confessional chique, potencializado pela iluminação dramática e precisa de Vicente Velloso. Nada ali é por acaso: a identidade visual marcante de Rafael Barros Costa e o design gráfico de Michelle Nigri Musafir envelopam o espetáculo com uma roupagem moderna e arrojada, enquanto as texturas de maquiagem e cabelo de Juliana Martins dão o tom exato das transições biográficas da protagonista. Tudo operado sonoramente por Rafa Barcellos e afinado pelo técnico Nitai, sob as lentes estéticas das fotos de estúdio de Elisa Maciel.
É um teatro de depoimento inteligente, jovial sem ser tolo, antenado com as neuroses da nossa época, e com aquela pitada de argúcia pernóstica que desafia o espectador a rir dos próprios traumas. Azeitada por uma produção executiva e coordenação impecáveis (capitaneadas pela Nicole Nigri Musafir Produções, com o suporte tático de Helena Alpino nas redes e Thamires Virmond na assistência), a obra flui sem rebarbas ao longo de seus 90 minutos de duração.
Contudo, a pressa é o único figurino obrigatório. A curtíssima temporada encerra-se impreterivelmente no dia 24 de setembro, com sessões às quartas e quintas-feiras, às 19h. Os ingressos para este acerto de contas geracional de classificação 12 anos custam R$ 60 (inteira) e já rareiam na bilheteria digital.
Fica o veredito deste colunista: o diálogo entre a criança artista e o adulto bloqueado é um espelho incômodo e brilhante. Vá pela urgência, fique pela audácia. Nos vemos na plateia.

Serviço:
 
  • Espetáculo: Pra Quem Não Me Conhece
  • Onde: Casa de Cultura Laura Alvim – Espaço Rogério Cardoso (Av. Vieira Souto, 176 – Ipanema)
  • Quando: Quartas e quintas-feiras, às 19h | Temporada estrita de 09 a 24 de setembro
  • Ingressos: R$ 60 (Inteira) / R$ 30 (Meia)
  • Vendas antecipadas: Disponíveis online aqui:  https://share.google/vXXIzQUPeSAFpjLXK

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