Previa: O artista plástico Victor Fidelis explora a intimidade e a representação de corpos negros em suas obras, trazendo à tona questões de identidade e pertencimento. Sua trajetória revela a importância do espaço íntimo como um local de afirmação e autoconhecimento.
Victor Fidelis, um artista plástico paulistano de 32 anos, tem se destacado na nova pintura figurativa brasileira ao retratar corpos negros em momentos de intimidade. Desde sua infância, influenciado por sua família, Fidelis desenvolveu uma conexão profunda com a arte, que se reflete em suas obras que capturam o cotidiano e as relações pessoais.
Formado em Arquitetura e Urbanismo pela USP, Fidelis traz para suas pinturas uma bagagem teórica que complementa sua técnica autodidata. Ele começou a pintar em 2020 e rapidamente ganhou visibilidade nas redes sociais, o que o levou a expor em galerias renomadas e instituições culturais.
Um olhar sobre a representação negra na arte
Uma das principais questões que o artista busca responder é como colocar pessoas negras em posições de destaque na história da arte. Para ele, a resposta começa em casa, onde cresceu cercado por referências artísticas. Sua pesquisa culminou em um trabalho acadêmico que explora as representações negras na arte brasileira, ajudando-o a entender melhor seu lugar dentro dessa tradição.
Fidelis é representado pela galeria Verve, onde realizou sua primeira exposição individual, intitulada Batinga. Suas obras já passaram por importantes espaços culturais, como o MASP e o CCBB, e têm atraído a atenção de públicos diversos, evidenciando a universalidade das questões que aborda.
Os cenários que ele cria nas telas são cuidadosamente pensados, refletindo sua formação em arquitetura. Elementos como pisos quadriculados e cores vibrantes ajudam a construir a personalidade dos retratados, criando uma conexão entre o espectador e a obra.
A moda também desempenha um papel importante em suas criações. Peças de streetwear e acessórios são incorporados nas composições, simbolizando a construção de identidade e as emoções que esses elementos evocam. Para Fidelis, a roupa é um signo que carrega significados profundos e pessoais.
O corpo negro, em suas obras, é tratado como um exercício de autoconhecimento. Fidelis utiliza a intimidade e o convívio como temas centrais, buscando entender quem somos além das construções sociais. Ele acredita que retratar a intimidade de corpos marginalizados é uma forma de reivindicar humanidade e dignidade.
Recentemente, o artista foi comissionado pela Vogue para criar uma obra que conectasse futebol e arte, explorando a atmosfera do esporte de uma maneira inovadora. Essa nova abordagem reafirma seu compromisso em manter o retrato íntimo, mesmo em um contexto saturado de símbolos esportivos.











