Previa: Ventos intensos acima de 100 km/h causaram mortes e danos em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, revelando a falta de preparo das cidades brasileiras para eventos climáticos extremos.
Nos últimos dias, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul enfrentaram ventanias que ultrapassaram os 100 quilômetros por hora, resultando em mortes e grandes transtornos. Especialistas em clima alertam que essa situação expõe a vulnerabilidade das cidades brasileiras diante de fenômenos climáticos extremos, que tendem a se intensificar com as mudanças climáticas.
A previsão para o segundo semestre de 2026 é preocupante, com a possibilidade de chuvas excessivas, secas severas e ondas de calor, em decorrência do fenômeno El Niño. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que esses eventos podem ter impactos variados em diferentes regiões do país.
Gestão de Riscos e Resiliência Urbana
De acordo com o professor Pedro Torres, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a gestão urbana no Brasil é predominantemente reativa, ignorando os riscos futuros. Ele enfatiza que, em um cenário de emergência climática, as cidades precisam se adaptar e se preparar para eventos extremos, não apenas melhorar os sistemas de alerta.
“Eventos extremos vão acontecer cada vez mais e com mais intensidade. O desafio agora é construir cidades mais resilientes”, afirma Torres, que também é membro do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC).
Rodrigo Jesus, porta-voz da Frente de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, complementa que a gestão de riscos deve incluir três etapas: previsão meteorológica, emissão de alertas e, principalmente, a adaptação das cidades para lidar com os eventos quando eles ocorrem. Ele ressalta que a proteção das pessoas deve ser a prioridade nas estratégias urbanas.
Desafios na Comunicação de Alertas
No Rio de Janeiro, os alertas sobre ventos fortes foram emitidos pouco antes do início do fenômeno, levantando questões sobre a eficácia do monitoramento meteorológico. O Centro de Operações da Prefeitura do Rio (COR-Rio) informou que avisos foram enviados via SMS e WhatsApp, mas a rapidez da resposta ainda é questionada.
Rodrigo Jesus observa que a imprevisibilidade meteorológica não deve ser uma justificativa para a falta de preparação das cidades. Ele argumenta que a capacidade de resposta e a proteção da população são fundamentais diante de eventos climáticos severos.
Medidas de Adaptação e Educação
Os impactos da ventania incluem quedas de árvores, apagões e interrupções no transporte público. Especialistas sugerem que um planejamento adequado poderia ter evitado muitos desses problemas. Medidas como manejo preventivo da arborização urbana e modernização da infraestrutura elétrica são essenciais para aumentar a resiliência das cidades.
“Todos os projetos aprovados pelas secretarias de obras deveriam passar por uma avaliação sobre como aquela intervenção contribui para proteger a população diante das mudanças climáticas”, defende Jesus.
Além das adaptações físicas, a educação ambiental e a formação da população para situações de emergência são igualmente importantes. O professor Pedro Torres destaca que o Brasil ainda carece de iniciativas permanentes nesse sentido, que devem envolver escolas, universidades e o poder público.
Inspirando-se em países frequentemente afetados por desastres naturais, como Japão e Filipinas, os especialistas defendem a implementação de campanhas de conscientização e simulados para preparar a população para agir em situações de emergência climática.











