A Venezuela enfrenta a maior tragédia natural de sua história recente. Após três fortes terremotos registrados em menos de uma semana, o país contabiliza quase mil mortes confirmadas, enquanto mais de 50 mil pessoas continuam desaparecidas sob os escombros. O número de vítimas ainda pode aumentar significativamente

à medida que as equipes de resgate avançam nas áreas devastadas.
Diante da dimensão da catástrofe, o governo venezuelano anunciou a restrição do acesso ao estado de La Guaira, uma das regiões mais atingidas pelos abalos sísmicos. A entrada de pessoas passou a depender de registro prévio junto às autoridades, medida que, segundo o governo, busca facilitar o trabalho das equipes de emergência e impedir que o intenso fluxo de curiosos e voluntários atrapalhe a circulação de ambulâncias, caminhões e máquinas pesadas utilizadas na remoção dos escombros.
Nos primeiros momentos após os terremotos, a realidade foi dramática. Sem recursos suficientes e diante da demora na chegada de reforços, moradores passaram horas retirando concreto, ferragens e destroços com as próprias mãos ao lado do Corpo de Bombeiros, em uma tentativa desesperada de localizar sobreviventes. Apenas posteriormente começaram a chegar equipes nacionais e ajuda humanitária de outras regiões.
A crise também atingiu em cheio o sistema de saúde. Com hospitais de La Guaira incapazes de atender a enorme quantidade de vítimas, centenas de feridos foram transferidos para Caracas nas últimas horas. As unidades Dr. Miguel Pérez Carreño, Periférico de Catia, José María Vargas e Domingo Luciani operam acima da capacidade.
Nas áreas de emergência e nas salas de espera, familiares aguardam notícias de parentes sobreviventes enquanto equipes médicas trabalham continuamente para atender pacientes em estado grave. Segundo relatos, muitos recebem atendimento “com o muito ou com o pouco” disponível, refletindo a escassez de medicamentos, equipamentos e insumos hospitalares.
Em meio ao colapso do sistema público de saúde, a mobilização da sociedade civil tornou-se essencial. Centenas de moradores passaram a levar água, alimentos, sucos, medicamentos e materiais hospitalares aos centros médicos, tentando suprir parte das necessidades enfrentadas pelas equipes de atendimento.
Do lado de fora dos hospitais e das áreas atingidas, milhares de venezuelanos também decidiram atuar voluntariamente. De diferentes bairros da capital, grupos se organizaram para transportar doações, auxiliar famílias desalojadas e colaborar na resposta à emergência.
Em alguns pontos, entretanto, o trabalho voluntário precisou ser limitado pelas autoridades devido à operação de equipamentos de grande porte na remoção dos escombros. Segundo os responsáveis pelas operações, a presença excessiva de pessoas pode colocar vidas em risco e comprometer o andamento dos resgates.
Mesmo assim, o sentimento predominante nas ruas continua sendo de solidariedade. Um dos voluntários, que preferiu não se identificar, resumiu o clima vivido na capital.
“Não podia ficar em casa de braços cruzados vendo as pessoas morrerem. Perdemos um amigo em La Guaira. É muito difícil aceitar.”
A mobilização espontânea da população transformou Caracas em um grande centro de arrecadação de alimentos, roupas, água potável e materiais de primeiros socorros para abastecer as regiões mais afetadas.
Enquanto isso, milhares de famílias permanecem dormindo em ruas, praças e áreas abertas por medo de novos desabamentos. Diversos edifícios foram totalmente destruídos, bairros inteiros permanecem sem energia elétrica e equipes de resgate seguem trabalhando ininterruptamente na esperança de localizar sobreviventes antes que o tempo reduza ainda mais as chances de salvamento.
A tragédia já é considerada por especialistas como o pior desastre sísmico registrado na Venezuela em mais de um século.
Informações: El Nacional. Reportagem: Exposed Brasil.










