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SÍNDICO PRESO PELA MORTE DE DAIANE ALVES É PROCESSADO PELOS MORADORES DO AMETHIST TOWER

Um novo inquérito policial envolvendo Cléber Rosa de Oliveira, acusado pela morte de Daiane Alves Souza, abriu uma frente paralela de investigação em Caldas Novas, Goiás.

Cléber Rosa de Oliveira em Caldas Novas

Um novo inquérito policial envolvendo Cléber Rosa de Oliveira, acusado pela morte de Daiane Alves Souza, abriu uma frente paralela de investigação em Caldas Novas, Goiás. Desta vez, a apuração não trata diretamente do homicídio, mas de uma possível apropriação indébita de recursos da Associação dos Proprietários de Unidades Autônomas do Condomínio Golden Thermas Residence – Bloco Amethyst Tower, entidade que teria sido administrada por Cléber.

O inquérito nº 2606731774, instaurado pelo Grupo Especial de Investigações Criminais da 19ª Delegacia Regional de Polícia de Caldas Novas, passou a tramitar judicialmente em agosto de 2026. Cléber aparece como suposto autor, e a associação como vítima. A incidência penal registrada é o artigo 168 do Código Penal, referente ao crime de apropriação indébita.

O ponto que chama atenção é que essa nova investigação passou a utilizar provas produzidas no caso Daiane Alves, criando uma ligação entre as duas apurações.

Polícia apura transferência de R$ 18 mil

A investigação teve origem em relato apresentado à Polícia Civil pelo atual presidente da associação. Segundo a portaria de instauração, durante o período em que Cléber ocupava a presidência da entidade teria ocorrido uma transferência bancária de R$ 18 mil da conta da associação para Maicon Douglas Souza de Oliveira, filho de Cléber.

Conforme o documento policial, naquele momento não havia conhecimento de deliberação em assembleia ou autorização formal dos associados que justificasse a movimentação.

O inquérito também registra informações de que apartamentos ligados à associação teriam sido utilizados como se fossem de uso particular, inclusive em supostas locações e negociações, além da existência de contratos de comodato e procurações cuja utilização passou a ser analisada pelos investigadores.

O comprovante bancário inserido nos autos registra um Pix no valor de R$ 18.000, realizado em 18 de janeiro de 2026, da conta da associação para Maicon Douglas.

Filho diz que dinheiro foi usado para pagar advogados

Em depoimento à polícia, Maicon afirmou que recebeu o dinheiro para realizar o pagamento de honorários advocatícios.

Segundo sua versão, Cléber teria inicialmente realizado o pagamento aos advogados por meio da própria associação. Os profissionais teriam devolvido o valor, informando que precisariam receber de uma pessoa física.

Cléber teria então pedido ao filho que recebesse os R$ 18 mil e repassasse o montante aos advogados.

Maicon disse que fez a transferência e apresentou comprovante de Pix destinado ao advogado Luiz Fernando Izidoro Monteiro e Silva. Questionado sobre qual processo justificaria o pagamento, afirmou que se tratava de uma causa do condomínio ou da associação, mas não soube especificar exatamente qual procedimento.

É neste ponto que o novo inquérito passa a se conectar diretamente com a investigação de Daiane Alves.

Procuração havia sido assinada para o caso Daiane

Com autorização judicial, elementos da investigação do homicídio e da ocultação do cadáver de Daiane foram compartilhados com a nova apuração patrimonial.

A análise mostrou que, em 17 de janeiro de 2026, um dia antes da transferência dos R$ 18 mil, Cléber concedeu procuração aos advogados Luiz Fernando Izidoro e Daniel Gonçalves Santos Lima.

O documento dava poderes aos profissionais especificamente para defender os interesses de Cléber no inquérito que, naquele momento, ainda investigava o desaparecimento de Daiane Alves Souza.

Dois dias depois, em 19 de janeiro, os advogados já teriam apresentado requerimento ao Grupo de Investigação de Homicídios de Caldas Novas em nome de Cléber.

A coincidência das datas chamou a atenção dos investigadores.

Dados extraídos do telefone de Cléber apontaram ainda que ele manteve contato com o advogado Daniel Gonçalves na noite de 17 de janeiro, aproximadamente entre 23h08 e 23h37. Segundo o relatório, Cléber recebeu um arquivo referente a contrato de serviços advocatícios e, posteriormente, uma chave Pix para pagamento.

O conjunto desses elementos passa agora a integrar a investigação. Os autos, entretanto, não permitem afirmar neste momento que a destinação dos recursos constitua crime já comprovado. O que existe é uma apuração policial sobre a origem, a autorização e o destino do dinheiro.

Provas do caso Daiane entram no novo inquérito

Para esclarecer os fatos, o Judiciário autorizou o compartilhamento de provas produzidas na ação penal que investiga a morte de Daiane.

Entre os materiais compartilhados estão o relatório de extração do telefone celular de Cléber e a procuração concedida a um de seus advogados. A decisão judicial destacou a existência de correlação entre os fatos investigados e autorizou formalmente a utilização dos elementos de uma investigação na outra.

A documentação anexada ao novo procedimento acabou revelando também detalhes importantes já produzidos pela Polícia Civil no caso Daiane.

Vídeo mostra encontro entre Daiane e Cléber no subsolo

Um relatório complementar da Polícia Civil analisa vídeo localizado no celular da própria vítima após extração forense.

Nas imagens, ao desembarcar no pavimento Subsolo 1 do condomínio, Daiane registra a presença de Cléber e afirma:

“Ah! Olha quem eu encontro…”

De acordo com a análise técnica, Cléber usava calça e sapatos pretos e uma blusa branca. O relatório acrescenta que ele aparentava estar usando luvas e registra que, naquele momento, era a única pessoa visualizada por Daiane no pavimento.

Em outro trecho da mesma gravação, Daiane afirma:

“Acabou de perder minha energia no 402.”

Os policiais registraram também a presença da Fiat Strada prata pertencente a Cléber, estacionada no Subsolo 1, ao lado do almoxarifado. Segundo o relatório, a lona da caçamba estava aberta.

Celular de Daiane foi localizado após indicação de Cléber

Outro documento anexado aos autos relata a localização do telefone celular da vítima.

No dia 30 de janeiro de 2026, durante diligência realizada no condomínio, Cléber indicou aos policiais o local onde teria descartado o aparelho de Daiane.

O celular foi encontrado em um compartimento estrutural do subsolo, entre uma parede e a estrutura de concreto do piso, em espaço descrito pela polícia como estreito, profundo e de difícil visualização.

Após ser recolhido, o telefone foi submetido à extração forense, permitindo a recuperação de material audiovisual utilizado na investigação.

Conversas mostram Cléber perguntando sobre rotina de Daiane

As análises dos celulares também localizaram conversas anteriores ao desaparecimento.

Em outubro de 2025, Cléber enviou mensagem ao porteiro João Vieira Filho perguntando a que horas Daiane havia chegado ao condomínio acompanhada de um homem.

O funcionário respondeu que ela teria chegado entre 0h30 e 0h40.

No próprio relatório, os investigadores registraram que o diálogo permitia inferir um acompanhamento realizado por Cléber sobre as atividades de Daiane no residencial.

Cléber responde por homicídio qualificado e ocultação de cadáver

Paralelamente ao novo inquérito patrimonial, Cléber continua respondendo criminalmente pela morte de Daiane.

A ação penal nº 5142368-38.2026.8.09.0024 tramita perante a 1ª Vara Criminal de Caldas Novas e é classificada como Ação Penal de Competência do Júri.

Cléber é acusado pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A denúncia foi recebida em 26 de fevereiro de 2026.

O documento judicial reproduzido nos autos registra ainda que ele estava preso desde 28 de janeiro de 2026.

Uma segunda investigação que volta ao caso Daiane

O novo inquérito mostra que a investigação em torno de Cléber Rosa agora ultrapassa os fatos relacionados diretamente à morte de Daiane.

O que inicialmente aparece como uma apuração patrimonial sobre a administração de uma associação de moradores acabou alcançando documentos e movimentações financeiras realizadas justamente durante o período em que Cléber começava a estruturar sua defesa jurídica no desaparecimento da vítima.

A pergunta que os investigadores terão de responder é objetiva: qual era a finalidade dos R$ 18 mil retirados da conta da associação e havia autorização legítima para essa movimentação?

Os documentos demonstram a transferência, o posterior repasse alegado pelo filho de Cléber e a contratação de advogados para atuar no caso Daiane praticamente no mesmo intervalo de tempo. A eventual existência de apropriação indevida, entretanto, ainda depende da conclusão da investigação.

O Exposed Brasil acompanha o caso e continuará analisando os documentos oficiais e os próximos desdobramentos das investigações.

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