Prévia: A UFRJ concedeu um diploma póstumo a Stuart Angel, um estudante desaparecido político durante a ditadura militar, 55 anos após sua morte. A cerimônia simboliza uma reparação histórica e a luta pela memória dos que resistiram ao regime autoritário.
Na última terça-feira, 7 de julho, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou uma cerimônia especial no Salão Dourado, onde foi concedido o diploma de bacharel em ciências econômicas a Stuart Edgard Angel Jones. O estudante, membro do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), foi sequestrado e assassinado em 1971, aos 25 anos, durante a repressão da ditadura militar.
A iniciativa de buscar a diplomação póstuma foi liderada pela irmã de Stuart, Hildegard Angel, e pelo economista Lucas Duda, ex-membro do Centro Acadêmico Stuart Angel (CASA). A ideia surgiu durante uma homenagem realizada em 2022, quando Hildegard e amigos de Stuart se reuniram para lembrar sua trajetória e reivindicar justiça.
Um ato de reparação histórica
Lucas Duda destacou que a diplomação representa um tipo de reparação histórica, reconhecendo a luta de Stuart e de outros que foram vítimas do regime militar. “É uma forma de lembrar que vivemos este tempo terrível, que não pode mais retornar”, afirmou o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, enfatizando a importância de manter viva a memória dos que lutaram pela democracia.
Hildegard Angel, emocionada, afirmou que a diplomação é uma vitória para todos que resistiram à ditadura. “É uma pitada bem substancial ao longo desse ativismo para manter viva a memória dos nossos heróis da resistência”, disse. Para ela, a homenagem também representa a luta de sua mãe, Zuzu Angel, que dedicou sua vida a buscar justiça para o filho desaparecido.
O reitor Medronho também ressaltou que a cerimônia serve como um lembrete para os atuais 70 mil alunos da UFRJ sobre a importância de não permitir que a história se repita. “Os jovens têm a responsabilidade de não permitir que voltemos a um período tão obscuro da nossa sociedade”, declarou.
A UFRJ anunciou que, além de Stuart, 25 outros alunos que foram mortos ou desapareceram durante a ditadura também receberão homenagens semelhantes. A cerimônia para esses alunos ainda está em fase de planejamento, mas deve ocorrer em breve.
A identificação dos homenageados foi realizada com base no relatório da Comissão Nacional da Verdade, que documentou mais de 400 casos de mortos e desaparecidos políticos. A luta pela memória e pela justiça continua a ser um tema central na sociedade brasileira, refletindo a necessidade de reconhecer e honrar aqueles que pagaram o preço da liberdade.











