Prévia: O ex-ministro do TSE, Admar Gonzaga, acredita que a Corte possui legislação suficiente para lidar com o uso de inteligência artificial nas eleições, destacando a necessidade de bom senso nas decisões. A discussão sobre o tema ganha relevância com a produção de um vídeo que simulou a imagem e a voz de Jair Bolsonaro.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se prepara para enfrentar um novo desafio relacionado ao uso de inteligência artificial nas eleições. Recentemente, um vídeo que simulou a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro foi produzido durante a convenção do PL, que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. O caso levanta questões sobre a regulamentação e a ética no uso de tecnologias avançadas na política.
Nesta quinta-feira, 13 de agosto, uma reunião estava agendada entre o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e os demais ministros para discutir a abordagem do tribunal em relação a esses novos recursos tecnológicos. Contudo, o encontro foi cancelado, e ainda não há uma nova data definida para a discussão.
Legislação e Bom Senso
Admar Gonzaga, ex-ministro do TSE, defende que a Corte já possui as ferramentas legais necessárias para lidar com situações que envolvem inteligência artificial. Segundo ele, é fundamental que cada caso seja analisado individualmente, sem a necessidade de mudanças constantes nas regras a cada nova tecnologia que surge.
“A gente já tem legislação suficiente para atender a todas essas questões. O que a gente tem de ter é bom senso na hora de julgar”, afirmou Gonzaga. Ele enfatiza que a Justiça Eleitoral deve interpretar as normas existentes à luz das inovações tecnológicas, considerando que o processo legislativo é mais lento que o avanço das tecnologias.
A defesa de Flávio Bolsonaro argumenta que o vídeo em questão não enganou os eleitores, pois o próprio conteúdo indicava que se tratava de uma simulação. Essa posição levanta debates sobre a clareza e a transparência na comunicação política, especialmente em tempos de desinformação.
A regulamentação do TSE para as eleições de 2026 já permite o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral, mas estabelece que conteúdos sintéticos devem ser claramente identificados. Além disso, a norma proíbe o uso de deepfakes para manipular a percepção dos eleitores em relação a candidaturas.
Com a crescente utilização de tecnologias digitais na política, a atuação do TSE será crucial para garantir a integridade do processo eleitoral e a confiança do eleitor. O desfecho desse caso pode estabelecer precedentes importantes para o futuro das eleições no Brasil.











