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Trigo no Brasil sobe com oferta restrita, enquanto Chicago recua por safra russa recorde

O mercado de trigo no Brasil apresenta preços em alta devido à oferta restrita, enquanto no cenário internacional, as cotações caem com a expectativa de uma safra recorde na Rússia.

Trigo no Brasil sobe com oferta restrita, enquanto Chicago recua por safra russa recorde

Previa: O mercado de trigo no Brasil apresenta preços em alta devido à oferta restrita, enquanto no cenário internacional, as cotações caem com a expectativa de uma safra recorde na Rússia.

O cenário atual do mercado de trigo revela uma dicotomia entre a firmeza dos preços no Brasil e a pressão baixista no exterior. A oferta limitada no mercado interno tem sustentado a recuperação dos valores, enquanto as cotações na Bolsa de Chicago refletem a expectativa de uma safra maior na Rússia, que está avançando na colheita.

No Brasil, os produtores estão cautelosos e hesitam em vender seus estoques, esperando melhores oportunidades de comercialização. Por outro lado, os moinhos precisam aumentar suas ofertas para garantir o abastecimento, o que tem gerado um aumento nas negociações.

Oferta limitada mantém preços em alta no mercado brasileiro

Dados do Cepea indicam que os preços do trigo estão em recuperação ao longo de junho, impulsionados pela baixa disponibilidade de grãos no mercado spot. Produtores que ainda possuem estoques estão segurando o produto, enquanto a necessidade de reposição dos moinhos tem elevado os preços.

Até o dia 26 de junho, o preço médio do trigo no Paraná foi de R$ 1.371,12 por tonelada, uma alta de 1,4% em relação a maio, embora ainda 13% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. No Rio Grande do Sul, o preço médio foi de R$ 1.324,79 por tonelada, com um aumento de 1,9% em relação ao mês anterior, mas uma queda de 6,1% em comparação anual.

Em São Paulo, o trigo foi negociado a R$ 1.508,04 por tonelada, com alta mensal de 2,8%. Santa Catarina também viu um aumento, com média de R$ 1.313,46 por tonelada, embora ambos os estados ainda apresentem preços inferiores aos do ano passado.

Mercado físico opera com baixa liquidez e compradores cautelosos

O mercado físico do trigo começou a semana com pouca movimentação nos principais estados produtores do Sul. As compras estão limitadas, com negociações pontuais e a cobertura para julho praticamente encerrada. Os moinhos agora direcionam suas atenções para as necessidades de abastecimento de agosto.

No Rio Grande do Sul, os preços giram em torno de R$ 1.420 por tonelada entregue nos moinhos, variando conforme o prazo de entrega. Além da oferta reduzida, há preocupações com o próximo ciclo de produção, incluindo altos custos e riscos climáticos associados ao El Niño.

Em Santa Catarina, os preços elevados do trigo dificultam a comercialização de farinha, com referências próximas de R$ 1.350 por tonelada FOB. No Paraná, a baixa disponibilidade da safra velha e a falta de negócios com a nova produção mantêm os preços em níveis elevados.

Chicago recua diante da expectativa de maior produção na Rússia

Enquanto o mercado brasileiro se beneficia da escassez de oferta, o cenário internacional enfrenta pressão pela expectativa de aumento da produção global. Na abertura desta terça-feira, os contratos futuros de trigo na Bolsa de Chicago apresentaram perdas, com o contrato de julho cotado a US$ 5,68 por bushel.

A consultoria Argus revisou suas estimativas para a safra russa, elevando a projeção para 91,2 milhões de toneladas, o que representa o maior volume desde a safra recorde de 2022/23. A melhora nas condições das lavouras de trigo de inverno foi um fator crucial para essa revisão.

Apesar do aumento na estimativa de produção, o mercado continua atento a possíveis impactos de chuvas durante a colheita, que podem afetar a qualidade dos grãos e atrasar os trabalhos de campo.

Mercado brasileiro acompanha cenário internacional

Embora o mercado interno continue firme devido à oferta restrita, as cotações internacionais são um fator importante para os agentes brasileiros. Uma safra robusta na Rússia pode aumentar a competitividade do trigo importado e limitar a valorização em Chicago, influenciando as estratégias de compra dos moinhos brasileiros.

Os produtores também estão monitorando o desenvolvimento da safra nacional e as condições climáticas do inverno, que serão decisivas para a disponibilidade de trigo no mercado interno e o comportamento dos preços no segundo semestre.

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