Previa: O preço do trigo no Brasil e na Bolsa de Chicago está em alta devido à oferta restrita no Sul do país e à escalada das tensões no Mar Negro. A combinação de fatores geopolíticos e logísticos mantém o mercado em alerta e os preços firmes.
O mercado de trigo encerra julho com uma valorização impulsionada por dois fatores principais: a oferta limitada no Sul do Brasil e as crescentes tensões geopolíticas na região do Mar Negro. Essa combinação tem elevado as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT), refletindo a preocupação com estoques reduzidos e custos elevados.
No cenário nacional, os produtores estão cautelosos nas negociações, enquanto as indústrias enfrentam margens apertadas e dificuldades para recompor seus estoques. O conflito entre Rússia e Ucrânia voltou a ser um ponto crítico, especialmente após ataques a um terminal de exportação de grãos na Rússia, o que reacendeu as preocupações sobre a oferta global.
Oferta restrita e preços elevados no Sul do Brasil
De acordo com a TF Agroeconômica, a disponibilidade de trigo nos principais estados produtores do Sul do Brasil continua limitada. Isso sustenta os preços, mesmo com a nova colheita se aproximando. No Rio Grande do Sul, os preços médios estão em torno de R$ 1.300 por tonelada, com o trigo melhorador alcançando R$ 1.350 por tonelada.
Para lotes de maior qualidade, as indicações chegaram a R$ 1.460 CIF moinho. A valorização do trigo argentino também é notável, com preços em Canoas alcançando US$ 292 por tonelada, um aumento de cerca de 6,2%. A escassez de oferta e altos índices de DON nos estoques remanescentes têm levado a uma busca por trigo de melhor qualidade.
Em Santa Catarina, a situação é crítica, com a disponibilidade de trigo praticamente esgotada. O último negócio foi registrado a R$ 1.350 FOB, e os compradores estão buscando cereal gaúcho entre R$ 1.340 e R$ 1.400 por tonelada. O setor moageiro enfrenta dificuldades, com o mercado de farinhas lento e elevados estoques.
Perspectivas no Paraná e no mercado internacional
No Paraná, que é o principal produtor nacional, os preços continuam acima do que é considerado confortável para a indústria de moagem. Negócios foram registrados a R$ 1.450 CIF moinho em Curitiba, enquanto os preços no Norte do estado variaram entre R$ 1.530 e R$ 1.550 por tonelada.
O plantio da safra paranaense foi concluído em cerca de 727,5 mil hectares, uma redução de 11% em relação ao ano anterior. Apesar do bom desenvolvimento das lavouras, a diminuição da área plantada e os riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño limitam as expectativas de aumento da oferta.
No mercado internacional, a alta dos preços foi impulsionada por ataques a um terminal de exportação de grãos na Rússia, que afetaram significativamente a infraestrutura de transporte. Isso gerou incertezas sobre a logística de exportação, especialmente no Mar de Azov e no Estreito de Kerch.
Os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostraram que as vendas líquidas de trigo da safra 2026/27 totalizaram 285,2 mil toneladas, dentro das expectativas do mercado. Os contratos futuros na Bolsa de Chicago também apresentaram alta, refletindo a preocupação com a oferta global.
Com a combinação de oferta restrita no Sul do Brasil, a redução da área cultivada no Paraná e as incertezas geopolíticas, o mercado de trigo permanece em uma posição de sustentação. A expectativa é que qualquer nova interrupção nas exportações da Rússia possa aumentar a volatilidade e sustentar os preços nas próximas semanas.











