Previa: O mercado de trigo no Brasil enfrenta baixa liquidez, enquanto os preços internacionais são sustentados por tensões geopolíticas no Mar Negro e preocupações climáticas nos Estados Unidos. A entressafra e a incerteza sobre a nova safra de 2026 geram cautela entre os produtores e indústrias.
O cenário atual do mercado de trigo no Brasil é marcado por uma combinação de baixa liquidez nas principais regiões produtoras e a sustentação das cotações internacionais. Os preços globais estão sendo impulsionados por riscos geopolíticos no Mar Negro e preocupações climáticas nos Estados Unidos, enquanto os contratos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT) apresentam leve recuperação.
A oferta limitada de trigo de qualidade e a demanda retraída por farinha contribuem para um mercado doméstico com negociações pontuais. A situação é ainda mais complexa devido às expectativas em relação à nova safra, que está gerando um comportamento distinto entre os estados do Sul do Brasil.
Bolsa de Chicago e os impactos internacionais
Os contratos futuros de trigo na CBOT registraram uma leve alta, refletindo ajustes técnicos e a permanência de fatores de risco que impedem uma queda mais acentuada nos preços. As cotações para setembro de 2026 estão em US$ 6,85 por bushel, enquanto dezembro e março de 2027 estão cotados a US$ 7,02 e US$ 7,16, respectivamente.
A guerra no Mar Negro continua sendo um fator crucial para a sustentação dos preços internacionais. Ataques a portos e limitações no tráfego marítimo estão elevando a preocupação entre os compradores globais, o que pode levar a uma migração da demanda para outros fornecedores, impactando ainda mais os preços do trigo.
Além disso, a Rússia, que representa cerca de 22% do comércio internacional de trigo, pode exportar aproximadamente 47,5 milhões de toneladas na temporada 2026/27, tornando-se uma peça-chave no mercado global.
Desafios e oportunidades no mercado brasileiro
No Brasil, a comercialização de trigo permanece lenta durante a entressafra. A baixa liquidez é reflexo da cautela de vendedores e compradores, que ajustam estoques enquanto aguardam uma definição sobre a nova safra. A demanda reduzida por farinha também está limitando as compras por parte dos moinhos, que operam com moagem reduzida em várias regiões do Sul.
No Rio Grande do Sul, a movimentação de negócios foi pontual, com preços variando entre R$ 1.285 e R$ 1.300 por tonelada. Entretanto, a qualidade do trigo remanescente é uma preocupação, especialmente devido à presença de DON, uma micotoxina que compromete o aproveitamento industrial do cereal.
Em Santa Catarina, a oferta da safra velha praticamente se esgotou, e o último negócio foi registrado a R$ 1.350 por tonelada FOB. No Paraná, o mercado apresenta maior firmeza, com preços em torno de R$ 1.450 por tonelada, enquanto os produtores permanecem cautelosos devido ao impacto do El Niño nas lavouras.
Perspectivas futuras
As expectativas para o mercado brasileiro indicam que a baixa liquidez deve persistir nas próximas semanas, à medida que os produtores aguardam uma definição sobre a produtividade e qualidade da nova safra. No cenário internacional, o mercado de Chicago continuará a ser influenciado pela evolução do conflito no Mar Negro e pelas condições climáticas nos Estados Unidos.
Produtores são aconselhados a aproveitar momentos de valorização para realizar vendas escalonadas da nova safra, enquanto cooperativas e indústrias devem adotar estratégias de proteção de margens diante da elevada volatilidade que caracteriza o mercado global de trigo.











