Previa: O mercado de trigo no Brasil enfrenta um cenário de baixa liquidez e crescente competitividade do trigo importado, especialmente da Argentina. As importações em julho alcançaram o maior volume mensal do ano, refletindo a oferta restrita de trigo nacional.
O setor de trigo no Brasil está passando por um momento delicado, com a liquidez do mercado em baixa e a oferta nacional limitada. Em julho, as importações de trigo atingiram um pico, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), destacando a crescente dependência do produto estrangeiro.
A escassez de trigo de qualidade superior no mercado interno, especialmente com PH acima de 78, tem levado os compradores a buscar alternativas no exterior. O trigo argentino, com preços mais competitivos, se destaca nesse cenário, pressionando os vendedores brasileiros a ajustar suas ofertas.
Trigo importado ganha competitividade no mercado brasileiro
De acordo com o Cepea, o preço médio do trigo no Rio Grande do Sul permanece superior ao do trigo importado. Essa diferença tem levado os moinhos a repensar suas estratégias de compra, buscando recuperar a competitividade frente ao produto estrangeiro.
Os moinhos, que enfrentam margens apertadas, veem no trigo importado uma solução para a atual escassez no mercado. Apesar do aumento nas importações em julho, o volume total nos últimos 12 meses ainda é inferior ao do ano anterior, refletindo um cenário de incertezas.
No Rio Grande do Sul, as negociações estão lentas, com preços para trigo não segregado em torno de R$ 1.300 por tonelada para embarque em agosto. A cobertura dos moinhos se estende até setembro, reduzindo a necessidade de novas compras imediatas.
Santa Catarina e Paraná: cenários distintos
Em Santa Catarina, os moinhos estão relativamente abastecidos, utilizando trigo do Rio Grande do Sul para complementar suas necessidades. Os preços para trigo pão variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, enquanto o plantio da nova safra avança lentamente.
No Paraná, a atenção se volta para a nova safra, com referências de preços em torno de R$ 1.450 por tonelada. O estado também se prepara para a chegada de trigo argentino, que deve reforçar a oferta local e impactar os preços.
As projeções para 2027 indicam que o Paraná poderá precisar importar entre 1,5 milhão e 1,6 milhão de toneladas de trigo, evidenciando a importância do mercado internacional para o abastecimento estadual.
Expectativas e desafios para o mercado de trigo
O cenário atual do trigo brasileiro é marcado por dois fatores principais: a oferta restrita de lotes de qualidade e a competitividade do trigo importado. A chegada de novos carregamentos, especialmente da Argentina, pode aumentar a pressão sobre os preços nacionais.
Enquanto isso, a evolução do plantio e da nova safra nos estados do Sul será crucial para definir as expectativas de oferta nos próximos meses. O mercado permanece atento às flutuações de preços, ao câmbio e ao ritmo das importações.
Com um panorama de negociações lentas e moinhos abastecidos, o setor de trigo no Brasil enfrenta desafios que exigem cautela e estratégia por parte dos produtores e comerciantes.
- Importações em julho foram as mais altas de 2026 até agora.
- Trigo argentino se torna uma alternativa competitiva no mercado.
- Rio Grande do Sul apresenta um mercado lento, com cobertura até setembro.
- Santa Catarina mantém moinhos abastecidos, com preços entre R$ 1.350 e R$ 1.400/t.
- Paraná foca na nova safra e na chegada de trigo argentino.
- Expectativas de importação para 2027 são altas no Paraná.
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