Previa: O mercado de trigo enfrenta um cenário contrastante entre a alta nas bolsas internacionais e a estagnação no Brasil. Enquanto Chicago vê os preços dispararem, o país lida com custos elevados e baixa demanda.
O mercado de trigo está passando por um momento de tensão, com um claro descompasso entre o cenário internacional e a realidade brasileira. Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros estão em alta, impulsionados por preocupações com a oferta global e tensões geopolíticas no Mar Negro. Por outro lado, o mercado interno, especialmente nas regiões Sul do Brasil, enfrenta dificuldades devido aos altos custos do cereal e à fraca demanda por farinha.
A situação é ainda mais complicada pela expectativa de uma safra menor em 2026, o que pode aumentar a dependência do Brasil em relação às importações. Essa combinação de fatores está reduzindo a liquidez no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, dificultando as negociações e o abastecimento.
Chicago sobe mais de 2% com preocupação sobre oferta mundial
Na quarta-feira, os contratos futuros de trigo na Bolsa de Chicago abriram com forte valorização. O contrato para setembro de 2026 subiu para US$ 6,96 por bushel, um aumento de 2,69%. O vencimento de dezembro também registrou alta, sendo negociado a US$ 7,13 por bushel.
Esses movimentos refletem as incertezas em torno do corredor de exportação do Mar Negro, que é crucial para o comércio global de trigo. As tensões entre Rússia e Ucrânia, além das condições climáticas nas regiões produtoras do Hemisfério Norte, continuam a gerar volatilidade nas cotações.
Menor safra brasileira reforça necessidade de importações
No Brasil, a expectativa de uma produção reduzida em 2026 é um dos principais fatores que sustentam os preços internos. Com a diminuição da oferta nacional, a necessidade de importações aumenta, com a Argentina se mantendo como a principal fornecedora do cereal.
No entanto, o aumento dos preços do trigo argentino está pressionando os custos da indústria de moagem, dificultando a realização de novos negócios e complicando ainda mais a situação do mercado interno.
Mercado do Sul permanece com baixa liquidez
Apesar da valorização internacional, o mercado físico no Sul do Brasil continua praticamente paralisado. A combinação de preços elevados, consumo reduzido de farinha e estoques altos nos moinhos tem limitado as transações.
As diferenças regionais em termos de disponibilidade e preços são notáveis, mas a baixa liquidez é uma característica comum nos três principais estados produtores. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a lentidão nas vendas de farinha mantém os estoques altos e reduz a necessidade de aquisição de trigo.
Santa Catarina e Paraná enfrentam desafios adicionais
Em Santa Catarina, a oferta de trigo local praticamente se esgotou, levando a um aumento nos preços. O último lote disponível foi negociado a R$ 1.350 por tonelada, enquanto o trigo gaúcho é cotado entre R$ 1.340 e R$ 1.400 por tonelada.
No Paraná, o aumento das cotações do trigo argentino também impactou os preços das farinhas importadas, que estão em torno de R$ 1.450 por tonelada nas regiões de Curitiba e Campos Gerais. Os produtores permanecem cautelosos, aguardando definições sobre as condições climáticas influenciadas pelo fenômeno El Niño.
Mercado deve seguir sensível ao cenário internacional
O mercado brasileiro de trigo deve continuar atento às flutuações das bolsas internacionais nas próximas semanas. A combinação de menor oferta nacional, aumento dos preços do trigo importado e incertezas sobre o abastecimento global mantém o setor em estado de alerta.
Enquanto Chicago reage a riscos geopolíticos e climáticos, o mercado interno enfrenta dificuldades para recuperar a liquidez, com a demanda por farinha ainda aquém do esperado e compradores operando com cautela. A situação exige atenção e estratégias adaptativas para garantir a estabilidade do setor no Brasil.











