Previa: O relatório AgroInfo 2026 do Rabobank revela que o agronegócio global está passando por mudanças significativas devido a tensões geopolíticas e disputas comerciais, impactando diretamente os preços das commodities e a competitividade dos países exportadores.
O cenário atual do agronegócio mundial é marcado por transformações profundas, impulsionadas por tensões geopolíticas e mudanças nas relações comerciais entre as principais economias. O relatório AgroInfo 2026, divulgado pelo Rabobank, analisa como tarifas e acordos comerciais estão moldando os mercados agrícolas internacionais, exigindo atenção especial de produtores e exportadores.
De acordo com o documento, a volatilidade no ambiente global continua alta, afetando diretamente os preços das commodities e os custos logísticos. Conflitos geopolíticos e alterações tarifárias têm um papel crucial na formação do cenário atual, impactando a competitividade dos países exportadores e a dinâmica do comércio internacional.
Geopolítica e seus efeitos nos preços agrícolas
A primeira metade de 2026 foi marcada por eventos geopolíticos que alteraram significativamente o comportamento dos mercados. No setor de soja, por exemplo, as expectativas de exportações dos Estados Unidos para a China, combinadas com os conflitos entre Estados Unidos e Irã, elevaram os preços internacionais do petróleo e dos óleos vegetais, refletindo diretamente nas cotações da oleaginosa.
O Rabobank ressalta que esses movimentos geopolíticos têm exercido uma influência crescente sobre as commodities agrícolas, muitas vezes superando os fundamentos tradicionais de oferta e demanda. Essa nova realidade exige que os agentes do setor estejam cada vez mais atentos às mudanças no cenário global.
Reconfiguração do comércio internacional
O relatório aponta que as disputas comerciais e as medidas de proteção adotadas por diferentes países estão promovendo alterações nos fluxos de comércio global. No mercado de carne bovina, por exemplo, as cotas de exportação destinadas à China podem limitar os embarques brasileiros, mesmo com a demanda robusta dos Estados Unidos.
A elevada concentração das exportações brasileiras em poucos mercados torna o setor vulnerável a mudanças regulatórias e tarifárias. Além disso, novas exigências sanitárias e o uso de antimicrobianos nos sistemas produtivos também impactam o comércio global de proteínas animais.
Desafios para a competitividade brasileira
Embora o Brasil se mantenha como um importante fornecedor de alimentos, o relatório alerta para fatores que podem comprometer a competitividade de algumas cadeias produtivas. A valorização do real em relação ao dólar e a forte concorrência de exportadores como Estados Unidos e Argentina podem reduzir os embarques brasileiros de milho ao longo de 2026.
Outro aspecto preocupante é o aumento dos custos logísticos, especialmente os fretes rodoviários, que podem pressionar a rentabilidade dos produtores e afetar a comercialização de diversas commodities agrícolas.
Impactos climáticos e o fenômeno El Niño
Além das questões comerciais, o Rabobank destaca a preocupação com os possíveis efeitos climáticos do fenômeno El Niño. Esse evento pode impactar a produção agrícola em regiões-chave da América do Sul, afetando culturas como soja, milho e laranja, além de atividades pecuárias.
A combinação de riscos climáticos e incertezas geopolíticas aumenta a volatilidade dos mercados, reforçando a necessidade de estratégias de gestão de risco por parte dos produtores para mitigar os impactos negativos.
Protagonismo do Brasil no agronegócio
Apesar dos desafios, o relatório evidencia o desempenho robusto do agronegócio brasileiro em diversos segmentos. A safra de soja está projetada para ser recorde, com estimativas de 182 milhões de toneladas, impulsionada por condições climáticas favoráveis e aumento da demanda global.
No setor de algodão, o Brasil se consolida como um dos principais exportadores mundiais, enquanto as exportações de carne bovina continuam a registrar recordes de receita e volume, mesmo diante das incertezas relacionadas às cotas internacionais.
Necessidade de planejamento e adaptação
Para o Rabobank, o ambiente global exigirá um alto grau de adaptação das cadeias produtivas. A interação entre tarifas, acordos comerciais, disputas geopolíticas, custos logísticos e eventos climáticos será crucial nas decisões estratégicas do agronegócio nos próximos meses.
Produtores, cooperativas, tradings e indústrias precisarão monitorar de perto as transformações do mercado internacional para manter a competitividade e aproveitar as oportunidades em um cenário cada vez mais dinâmico e desafiador.











