Previa: A nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros gera preocupações no setor agroindustrial. Especialistas alertam para o risco de perda de benefícios fiscais devido à dificuldade em comprovar a rastreabilidade de insumos e estoques.
A implementação da tarifa adicional pelos Estados Unidos acendeu um sinal de alerta entre empresas do agronegócio e da indústria brasileira. Com a possibilidade de redução na demanda americana, o impacto comercial é apenas uma parte do problema. Especialistas destacam que a dificuldade em comprovar o uso correto de insumos pode resultar na perda de benefícios fiscais, como Drawback e Reintegra.
A desaceleração nas vendas externas pode levar ao acúmulo de matérias-primas e produtos acabados, complicando ainda mais a situação. Muitas empresas enfrentam o desafio de manter o controle fiscal e operacional em um cenário de produção contínua, onde a interrupção rápida não é viável.
Risco fiscal e rastreabilidade
O principal desafio para as empresas beneficiadas por regimes especiais é garantir a rastreabilidade dos insumos utilizados na produção de bens destinados à exportação. Pedro Sobreira, engenheiro e diretor de operações da Eco Inventory, alerta que o tempo é um fator crítico. A falta de comprovação adequada pode resultar na perda de benefícios fiscais.
Os regimes Drawback e Reintegra exigem documentação detalhada sobre a aplicação dos insumos. Com o aumento dos estoques, a necessidade de demonstrar a origem e o destino dos produtos se torna ainda mais premente, exigindo um controle rigoroso.
Além disso, a falta de integração entre os registros contábeis e os estoques físicos pode aumentar o risco de divergências. Muitas indústrias ainda utilizam processos manuais, o que pode dificultar a comprovação necessária para manter os benefícios tributários.
Impacto no agronegócio
O agronegócio brasileiro também sente os efeitos da tarifa americana. De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cerca de 36,5% das exportações do setor para os Estados Unidos estão sujeitas à nova tarifa, mesmo com a ampliação da lista de produtos isentos.
Produtos como café verde, carne bovina e suco de laranja estão entre os itens que permanecem isentos. No entanto, itens importantes, como açúcar orgânico e máquinas agrícolas, continuam sujeitos à sobretaxa, afetando significativamente as exportações, que podem totalizar cerca de US$ 4,2 bilhões.
Os segmentos mais expostos incluem produtos florestais e o complexo sucroalcooleiro, que enfrentam desafios adicionais devido à natureza sazonal de sua produção. A necessidade de rastrear insumos e produtos exportados se torna crucial para evitar perdas financeiras.
Desafios e soluções
O novo cenário imposto pela tarifa americana destaca a importância de uma gestão integrada no comércio exterior. O controle de estoques, a integração de informações fiscais e a transparência em toda a cadeia produtiva são fundamentais para a sobrevivência das empresas exportadoras.
Com a pressão comercial aumentando, as empresas precisarão acelerar investimentos em tecnologia e sistemas de rastreabilidade. A adoção de soluções automatizadas pode ajudar a mitigar riscos e garantir a manutenção dos benefícios fiscais, permitindo que o agronegócio brasileiro mantenha sua competitividade no mercado internacional.











