Previa: O mercado da soja continua em alta, impulsionado por condições climáticas adversas nos Estados Unidos, que afetam a produção. No Brasil, a valorização internacional e a resistência dos produtores em negociar também influenciam os preços.
Na manhã desta terça-feira (18), o mercado da soja mostrou um movimento de valorização, refletindo a tendência observada no início da semana. Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros registraram alta pelo segundo dia consecutivo, impulsionados por preocupações climáticas nos Estados Unidos e pela expectativa em torno do Pro Farmer Crop Tour 2026.
A alta nos preços internacionais, combinada com o fortalecimento dos prêmios de exportação e a valorização do dólar, ajudou a sustentar as cotações no Brasil. Entretanto, a comercialização continua desigual entre as principais regiões produtoras, com maior firmeza nos portos e desafios logísticos que limitam as vendas no interior.
Clima nos EUA e suas consequências
As condições climáticas no Meio-Oeste dos Estados Unidos têm gerado grande preocupação entre os investidores. Chuvas intensas e inundações afetaram áreas-chave do cinturão agrícola, especialmente em estados como Iowa, Illinois, Indiana e Ohio. Este excesso de umidade ocorre em um momento crítico para as lavouras, quando as plantas estão em fase de formação e enchimento das vagens.
Os mapas meteorológicos indicam a continuidade das chuvas nos próximos dias, o que pode comprometer o desenvolvimento das plantas e aumentar a incidência de doenças. O impacto final ainda é incerto e dependerá da extensão das áreas afetadas e da duração do encharcamento.
Além disso, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou a classificação das lavouras de soja, reduzindo de 61% para 60% a parcela considerada em boas ou excelentes condições. Essa revisão reforça a percepção de que as adversidades climáticas podem limitar a produção da safra norte-americana.
Demanda e preços no Brasil
No Brasil, a combinação de preços em alta em Chicago, prêmios de exportação elevados e um dólar forte tem favorecido a recuperação das cotações. Contudo, a resposta do mercado físico varia entre estados e regiões. Em algumas áreas, a comercialização permanece lenta, enquanto em outras, os volumes negociados são mais expressivos.
Os produtores têm se mostrado firmes em suas negociações, aguardando preços mais altos antes de aumentar a oferta. Em estados como o Rio Grande do Sul, a comercialização continua lenta, com preços variando entre R$ 137 e R$ 151 por saca, dependendo da localidade.
Em Santa Catarina, as cotações acompanharam a valorização externa, com preços chegando a R$ 149 por saca no porto de São Francisco do Sul. No Paraná, o preço no porto de Paranaguá alcançou R$ 151,50 por saca, enquanto o interior ainda apresenta cotações mais baixas.
O mercado de soja deve passar por uma semana de forte volatilidade, com o comportamento dos preços dependendo das condições climáticas nos Estados Unidos e dos resultados do Pro Farmer Crop Tour. A demanda chinesa e o desempenho dos derivados também serão fatores cruciais para a definição dos preços nos próximos dias.











