Prévia: O mercado brasileiro de grãos apresenta um cenário contrastante em junho, com a soja em alta devido à demanda externa, enquanto o milho enfrenta desafios com a oferta recorde e concorrência internacional.
O início de junho trouxe movimentos distintos para o mercado de grãos no Brasil. A soja se destacou com uma valorização impulsionada pela forte demanda externa e pela atividade da indústria de esmagamento. Em contrapartida, o milho viu seus preços pressionados pela expectativa de uma safra robusta e pela crescente concorrência de exportadores como os Estados Unidos e a Argentina.
Conforme o relatório mensal do Rabobank, os preços da soja pagos aos produtores avançaram cerca de 2% em relação ao mês anterior. Por outro lado, o milho registrou uma queda de aproximadamente 4%, refletindo um cenário de maior oferta e menor competitividade no mercado internacional.
Exportações de soja em alta
As exportações continuam a ser um dos principais motores do mercado da soja brasileira. Em maio, o Brasil embarcou 14,8 milhões de toneladas da oleaginosa, um aumento de 5% em comparação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, os embarques totalizaram 55 milhões de toneladas, representando um crescimento de 7% em relação ao ano anterior.
A combinação de uma safra recorde e a competitividade da soja brasileira no mercado global têm favorecido o desempenho das exportações, consolidando o Brasil como o principal fornecedor mundial da commodity. Além disso, a demanda interna para processamento permanece aquecida, sustentando os preços pagos aos produtores nas principais regiões agrícolas.
Desafios para o milho
Em contraste com a soja, o milho enfrenta um ambiente de mercado mais desafiador. As exportações brasileiras do cereal totalizaram apenas 250 mil toneladas em maio, uma queda de 47% em relação ao mês anterior. O Rabobank projeta que os embarques de milho em 2026 devem ser inferiores aos volumes registrados em 2025.
A forte concorrência dos Estados Unidos e da Argentina, aliada à ampla disponibilidade interna do grão, tem reduzido o poder de reação dos preços no mercado doméstico. Essa situação preocupa os produtores, que se veem em um cenário de baixa competitividade.
Avanço da safrinha e perspectivas futuras
A colheita da segunda safra de milho, que é a principal responsável pela produção nacional do cereal, já alcançou cerca de 7% da área cultivada, superando o índice do ano passado. As condições das lavouras permanecem favoráveis em regiões produtoras, especialmente em Mato Grosso, embora haja alertas sobre possíveis perdas em estados como Goiás, Tocantins e Minas Gerais devido a condições climáticas adversas.
Apesar dos desafios, a expectativa é de uma safra expressiva, com a produção brasileira de milho estimada em 138 milhões de toneladas para a temporada 2025/26. Os produtores têm adotado uma postura cautelosa na comercialização, monitorando a evolução dos preços e as condições de mercado.
As perspectivas para o segundo semestre indicam uma manutenção da firmeza no mercado da soja, sustentada pelo ritmo forte das exportações e pela demanda industrial. Para o milho, o cenário continua desafiador, com preços dependentes do comportamento das exportações e da competitividade brasileira frente aos concorrentes globais.
Com a colheita da safrinha avançando e a oferta aumentando gradativamente, o mercado permanecerá atento aos fluxos internacionais de comércio e às condições climáticas nas principais regiões produtoras do país.











