Previa: O mercado da soja enfrenta oscilações devido à demanda externa e à realização de lucros, enquanto investidores aguardam novos dados sobre exportações e clima nos EUA.
O mercado da soja continua em movimento intenso, influenciado por fatores internacionais e pelo avanço das vendas no Brasil. Após um período de valorização, os contratos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT) enfrentaram um movimento de realização de lucros, refletindo ajustes técnicos por parte dos investidores.
Na quarta-feira, a oleaginosa encontrou suporte com a confirmação de vendas privadas de 372 mil toneladas para destinos não revelados, sendo 312 mil toneladas da nova safra e 60 mil da safra anterior. Essa notícia reforçou a percepção de uma demanda ativa no mercado internacional, sustentando as cotações.
Mercado realiza lucros após altas recentes
Entretanto, nesta quinta-feira, o cenário mudou. Após as valorizações recentes, impulsionadas por rumores de interesse da China em embarques norte-americanos para o último trimestre do ano, os investidores decidiram realizar parte dos ganhos. Os principais vencimentos passaram a operar em queda, com perdas entre 7 e 9 pontos.
O contrato de julho recuou para US$ 11,23 por bushel, enquanto o vencimento de novembro era negociado próximo de US$ 11,41 por bushel. Além disso, o mercado aguarda a divulgação do relatório semanal de exportações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que pode trazer novas informações sobre a demanda internacional.
As expectativas para as vendas combinadas variam entre 300 mil e 700 mil toneladas. Outro ponto importante para os investidores é a divulgação dos novos números de área plantada nos Estados Unidos, prevista para o fim deste mês, que é crucial para a formação dos preços no segundo semestre.
Clima no cinturão agrícola dos EUA segue no foco
As condições climáticas também permanecem em destaque nas negociações. O desenvolvimento das lavouras no Corn Belt, a principal região produtora dos Estados Unidos, é monitorado de perto. Embora as condições atuais sejam favoráveis, há previsões de estresse hídrico em algumas áreas, o que limita movimentos de queda mais acentuados.
No Brasil, os preços da soja apresentaram comportamento misto nas principais regiões produtoras. No Rio Grande do Sul, a colheita foi tecnicamente encerrada, consolidando uma produção de 18,13 milhões de toneladas, com uma produtividade média de 2.707 quilos por hectare, 14,8% inferior à estimativa inicial.
No porto de Rio Grande, a soja foi negociada a R$ 132 por saca. Em Santa Catarina, os preços avançaram em diversas praças, enquanto a chegada de uma massa de ar polar elevou as preocupações com geadas nas culturas de inverno. No Paraná, as oscilações pontuais resultaram em uma referência de R$ 130 por saca em Paranaguá.
Esmagamento recorde em Mato Grosso
Mato Grosso, o maior produtor nacional de soja, registrou um novo recorde no setor industrial, com o esmagamento alcançando 1,28 milhão de toneladas em maio, refletindo a forte demanda da indústria processadora. Os produtores estão intensificando a comercialização e o escoamento dos estoques remanescentes para liberar espaço para a safra de milho segunda safra.
O mercado da soja permanece sustentado por fatores positivos relacionados à demanda internacional, especialmente com as expectativas envolvendo a China e as exportações norte-americanas. Contudo, a volatilidade continua alta, com investidores atentos aos indicadores do USDA, ao clima nos Estados Unidos e ao ritmo de comercialização no Brasil.
A combinação desses fatores deverá continuar a definir a direção dos preços nas próximas semanas, em um cenário de oferta global ampla, mas ainda sujeito a oscilações provocadas por clima, logística e demanda internacional.











