Previa: A África do Sul inicia sua participação na Copa do Mundo com um simbolismo que vai além do futebol, refletindo laços históricos e socioeconômicos com o Brasil. As semelhanças entre os dois países se estendem a questões políticas e de cooperação internacional.
A seleção sul-africana faz sua estreia na Copa do Mundo nesta quinta-feira (11), enfrentando o México na Cidade do México. O evento marca não apenas o início do torneio, mas também um momento de reflexão sobre as conexões entre Brasil e África do Sul, que compartilham mais do que apenas as cores verde e amarelo em seus uniformes.
Além do futebol, ambos os países possuem características socioeconômicas e políticas semelhantes. Tanto Brasil quanto África do Sul têm buscado posições convergentes em questões internacionais, como a promoção da paz e a cooperação econômica. A seleção sul-africana, conhecida como “Bafana Bafana”, é vista como uma das favoritas por Joel Santana, ex-técnico da equipe, que destacou a evolução do futebol local nos últimos anos.
Cooperação com o Brasil
O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, expressou o desejo de estreitar laços com o Brasil durante uma visita a Brasília em março deste ano. Ele enfatizou a importância de aumentar as relações comerciais, afirmando que Brasil e África do Sul, como os países mais industrializados de seus continentes, têm potencial para expandir o comércio, que atualmente gira em torno de US$ 2,3 bilhões.
Ramaphosa sugeriu que a cooperação deve se estender a setores como agricultura, energia e defesa, enquanto Lula destacou a necessidade de um intercâmbio mais robusto, que poderia alcançar até US$ 10 bilhões. Recentemente, os dois países firmaram acordos para fortalecer a cooperação no turismo e na agropecuária, visando enfrentar desafios como a febre aftosa.
Apartheid e a guerra no Oriente Médio
Durante sua visita ao Brasil, Ramaphosa também reafirmou o compromisso da África do Sul com soluções pacíficas para conflitos internacionais, como os que ocorrem no Oriente Médio. O país, que superou o apartheid, possui uma autoridade moral que lhe permite criticar ações de guerra e promover a paz.
Especialistas destacam que a experiência da África do Sul em lidar com sua própria história de segregação racial confere ao país uma posição única para abordar questões de direitos humanos globalmente. O legado de Nelson Mandela, que lutou contra o apartheid, continua a influenciar a política externa sul-africana, especialmente em relação a conflitos que envolvem violações de direitos humanos.
Defesa da soberania
A transição para a democracia na África do Sul nos anos 1990 trouxe melhorias significativas, como o crescimento econômico e avanços nas áreas de saúde e educação. Apesar das desigualdades persistirem, o país se consolidou como a principal economia do continente africano e busca parcerias estratégicas com nações como o Brasil.
Atualmente, as duas nações colaboram em diversas áreas, incluindo saúde pública e desenvolvimento sustentável. Na Conferência das Partes (COP) de 2025, a África do Sul apoiou iniciativas brasileiras, reforçando a defesa da soberania e a independência dos países em desenvolvimento.
Essa aproximação entre Brasil e África do Sul é vista como uma oportunidade para ambos os países consolidarem suas democracias e aumentarem sua influência no cenário global, promovendo um desenvolvimento mais equitativo e sustentável.











