Previa: A colheita da safrinha de milho 2026 em Goiás inicia com produtividade abaixo do esperado, devido aos efeitos da estiagem. Os produtores enfrentam desafios significativos, refletindo em uma queda acentuada na produção.
A colheita da segunda safra de milho 2026 começou no sudoeste de Goiás, revelando os desafios enfrentados pelos produtores ao longo do ciclo. Apesar de algumas áreas apresentarem produtividade satisfatória, a estiagem impactou negativamente o potencial produtivo da safra no estado.
Na área da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), cerca de 1% dos 1,1 milhão de hectares cultivados já foram colhidos. Em Rio Verde, principal polo agrícola da região, os trabalhos avançam em aproximadamente 3% dos 400 mil hectares plantados com milho safrinha.
Desempenho Inicial e Expectativas
Segundo o departamento técnico da cooperativa, as áreas mais favorecidas apresentaram produtividade inicial em torno de 7.200 quilos por hectare, considerado um bom resultado para o início da colheita. Contudo, essa performance não deve refletir a realidade da maioria das lavouras que ainda serão colhidas.
A falta de chuvas em momentos críticos comprometeu o desenvolvimento das plantas em várias regiões, reduzindo significativamente o potencial produtivo da safra. Técnicos da cooperativa alertam que a tendência é de redução dos rendimentos médios à medida que a colheita avança.
Impactos das Chuvas e Expectativa de Rendimento
As chuvas recentes no sudoeste goiano podem atrasar temporariamente a colheita. O excesso de umidade no campo pode interromper ou diminuir o ritmo das operações por até dez dias em algumas áreas. Apesar disso, as chuvas chegam tarde para reverter as perdas já consolidadas nas lavouras afetadas pela seca.
As projeções indicam que a produtividade média da região deve ficar em torno de 4.200 quilos por hectare, um número significativamente inferior ao observado nas áreas mais produtivas colhidas até agora. Essa redução preocupa produtores e cooperativas, especialmente diante do aumento dos custos de produção.
Queda na Produção e Aumento da Área Cultivada
Levantamento da Safras & Mercado aponta uma redução expressiva na produção de milho safrinha em Goiás para a temporada 2026. A estimativa é de colheita de 12,592 milhões de toneladas, inferior às 16,058 milhões de toneladas obtidas em 2025, representando uma queda superior a 21% na produção estadual.
Embora a área destinada ao milho safrinha em Goiás deva alcançar 2,421 milhões de hectares em 2026, um crescimento de 1,2% em relação ao ciclo anterior, esse aumento não foi suficiente para compensar as perdas causadas pelo clima adverso. A produtividade média estadual está estimada em 5.200 quilos por hectare, abaixo dos 6.712 quilos por hectare registrados na safra passada.
Mercado em Alerta
A redução da produção em Goiás ocorre em um momento crítico para o mercado brasileiro de milho, dado que o estado é um dos principais produtores do país. Com a colheita avançando nas próximas semanas, o mercado acompanhará de perto os resultados das lavouras para medir o impacto da quebra produtiva sobre a oferta nacional.
Apesar das perdas em algumas áreas, a expectativa é que o avanço da colheita traga maior clareza sobre o tamanho da safra e influencie os movimentos de preços no segundo semestre. Os produtores permanecem focados na retirada dos grãos do campo e na avaliação dos impactos efetivos sobre a produtividade final da safra.











