Previa: A safra de laranja para 2026/27 no Brasil deve cair para 255 milhões de caixas, refletindo um cenário desafiador para a citricultura e impactando a rentabilidade do setor.
A citricultura brasileira enfrenta um novo ciclo de desafios com a expectativa de uma queda significativa na produção de laranja para a safra 2026/27. Após um período de recuperação, a previsão é de que a oferta de laranja diminua em cerca de 13% em relação à safra anterior, totalizando aproximadamente 255 milhões de caixas, segundo a Consultoria Agro Itaú BBA e estimativas do Fundecitrus.
Esse volume de produção ainda está aquém do ideal, que é de cerca de 300 milhões de caixas, necessário para atender a demanda da indústria e recompor estoques. A redução da produção traz à tona preocupações sobre a rentabilidade dos produtores e a sustentabilidade do setor citrícola.
Impactos Climáticos e Ciclo de Bienalidade
A queda na produção é atribuída, em grande parte, ao ciclo natural de bienalidade da laranja, que alterna entre safras de alta e baixa produtividade. A safra anterior, que foi excepcional, agora resulta em uma expectativa de menor rendimento.
Além disso, condições climáticas desfavoráveis, como chuvas irregulares e temperaturas elevadas, afetaram o desenvolvimento das plantas nas fases críticas. Esses fatores comprometeram a florada e o pegamento dos frutos, resultando em uma produtividade média estimada de 697 caixas por hectare, uma diminuição de cerca de 14% em relação ao ciclo anterior.
Desempenho das Exportações e Demanda Internacional
Apesar do aumento na produção na safra 2025/26, as exportações de suco de laranja não corresponderam às expectativas do setor. Aproximadamente 95% do suco produzido no Brasil é destinado ao mercado externo, tornando a demanda internacional um fator crucial para a cadeia produtiva.
Na última temporada, as exportações cresceram apenas 3,7%, totalizando cerca de 805 mil toneladas de suco concentrado, com uma receita de aproximadamente US$ 2,54 bilhões. Esse crescimento modesto, em contraste com a alta produção, indica uma desaceleração na demanda global pelo suco brasileiro.
Desafios do Mercado e Estoques
Um dos principais obstáculos para o crescimento das exportações foi a diminuição da demanda da União Europeia, que registrou uma queda de 5,8% nas compras, totalizando cerca de 369 mil toneladas. Em contrapartida, os Estados Unidos aumentaram as importações, impulsionados pela redução da produção na Flórida, o que torna o Brasil um fornecedor estratégico.
O aumento dos estoques industriais, resultado de uma safra maior em 2025/26 e de exportações limitadas, alterou a dinâmica do mercado. Com mais produto disponível, as indústrias não sentiram a necessidade de aumentar as compras, mesmo com a expectativa de uma safra menor em 2026/27.
Esse cenário de normalização no mercado, após dois anos de escassez e preços elevados, traz novos desafios. A rentabilidade dos produtores dependerá não apenas da oferta, mas também da demanda internacional e dos custos de produção, além de fatores estruturais como o avanço de doenças nas plantações e a eficiência operacional das propriedades.











