Prévia: A safra 2026/27 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil apresenta uma mudança significativa, com a moagem desacelerando e a produção de etanol em alta. Essa dinâmica reflete a estratégia das usinas em priorizar o biocombustível em meio a um cenário de mercado favorável.
A safra atual de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil está marcada por transformações importantes na produção. A moagem, que é um indicador fundamental da atividade das usinas, apresentou uma queda significativa na segunda quinzena de maio. Enquanto isso, a produção de etanol continua a crescer, evidenciando uma mudança na estratégia das usinas em favor do biocombustível.
Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) revelam que, na segunda metade de maio, as usinas processaram 41,55 milhões de toneladas de cana, uma redução de 13,08% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar dessa desaceleração, o total acumulado até 1º de junho é de 144,71 milhões de toneladas, mantendo um ritmo elevado em comparação a safras anteriores.
Impactos na produção de açúcar
A diminuição na moagem teve um efeito direto na produção de açúcar, que caiu para 2,20 milhões de toneladas na segunda quinzena de maio, uma queda de 25,62% em relação ao mesmo período da safra anterior. No total, a produção de açúcar até agora soma 6,84 milhões de toneladas.
Por outro lado, a qualidade da cana melhorou, com o índice de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) alcançando 125,87 quilos por tonelada na segunda metade de maio, um aumento de 1,09% em relação ao ano anterior. Esse fator pode ajudar a compensar a queda na quantidade produzida, refletindo um potencial de maior rentabilidade para as usinas.
Crescimento do etanol
Enquanto a produção de açúcar enfrenta desafios, o etanol se destaca com um crescimento robusto. Na segunda quinzena de maio, a produção de etanol atingiu 2,13 bilhões de litros, com 1,33 bilhão de litros de etanol hidratado e 796 milhões de litros de etanol anidro. O total acumulado desde o início da safra é de 7,54 bilhões de litros, um aumento de 31,55% em relação ao ciclo anterior.
O etanol hidratado, em particular, teve um desempenho notável, com um crescimento de 29%, totalizando 4,96 bilhões de litros. Além disso, a produção de etanol a partir do milho também contribuiu para esse crescimento, com 413,2 milhões de litros produzidos na segunda quinzena de maio, um aumento de 12,38% em relação ao ano passado.
Estratégia das usinas e demanda do mercado
As usinas estão claramente priorizando a produção de etanol, com 59,66% da cana processada em abril destinada a esse biocombustível, um aumento em relação aos 54,31% do ano anterior. No acumulado da safra, esse percentual subiu para 61,84%, indicando uma tendência de maior foco no mercado energético.
A demanda por etanol também está aquecida, com vendas de 2,74 bilhões de litros em abril, um crescimento de mais de 15% em relação ao mês anterior. No Estado de São Paulo, a participação do etanol hidratado no consumo total da frota leve atingiu 44%, o maior nível desde fevereiro de 2025, impulsionada pela competitividade do biocombustível em relação à gasolina.
Além disso, o mercado de Créditos de Descarbonização (CBios) apresenta um desempenho positivo, com a emissão de 16,93 milhões de créditos em 2026. Isso demonstra um comprometimento do setor com a agenda de descarbonização e a sustentabilidade, fatores que podem influenciar ainda mais o mercado de biocombustíveis.
Com a safra 2026/27 avançando, a expectativa é que a produção de açúcar continue a ser impactada pela estratégia das usinas de priorizar o etanol. O comportamento climático e a evolução da moagem serão cruciais para determinar o equilíbrio entre os dois produtos, em um cenário onde o mercado global observa atentamente a oferta brasileira.











