Prévia: A safra 2026/27 se inicia em meio a incertezas, mas o uso do fósforo acumulado no solo pode ser uma alternativa para reduzir custos com fertilizantes e aumentar a rentabilidade no campo.
O planejamento da safra 2026/27 apresenta desafios significativos para os produtores brasileiros. As restrições da China às exportações de fertilizantes fosfatados, combinadas com tensões geopolíticas, mantêm os preços dos insumos elevados, gerando preocupações sobre o aumento dos custos de produção no agronegócio.
Em meio a esse cenário, especialistas sugerem que uma solução pode estar na própria propriedade. O aproveitamento do fósforo acumulado no solo, aliado a um manejo adequado da fertilidade, pode reduzir a necessidade de novas aplicações de fertilizantes, sem comprometer a produtividade das lavouras.
Dependência de fertilizantes importados amplia desafios para o Brasil
Atualmente, o Brasil importa mais de 75% dos fertilizantes fosfatados utilizados na agricultura, o que torna o setor vulnerável às oscilações do mercado internacional. As recentes restrições da China à exportação desses produtos, somadas a dificuldades logísticas, têm reduzido a oferta global e aumentado a volatilidade dos preços.
Contudo, muitos solos agrícolas brasileiros já possuem uma reserva significativa de fósforo, acumulada ao longo de décadas de adubação. Estudos da Embrapa mostram que as características dos solos tropicais favorecem a fixação desse nutriente, resultando em um estoque estratégico no perfil do solo.
Análise de solo pode evitar aplicações desnecessárias
Leandro Barcelos, engenheiro agrônomo e fundador da A Raiz da Solução, destaca que muitos produtores podem reduzir custos com fertilizantes ao basear suas decisões em análises técnicas. Levantamentos indicam que diversas áreas de produção de grãos apresentam níveis superiores a 30 ppm de fósforo disponível, permitindo ajustes na adubação fosfatada.
Barcelos ressalta que o manejo deve considerar as condições específicas de cada área. Ele afirma que a análise de solo é crucial para evitar a compra desnecessária de fertilizantes, especialmente quando os níveis de fósforo já são adequados.
Perfil do solo é decisivo para aumentar a eficiência dos fertilizantes
Em um contexto de custos elevados, a eficiência dos fertilizantes se torna ainda mais relevante. O aproveitamento do fósforo e de outros nutrientes depende da qualidade do perfil do solo e do desenvolvimento do sistema radicular das plantas.
Quando há compactação ou desequilíbrio químico, as raízes ficam limitadas a camadas superficiais, reduzindo a capacidade de explorar nutrientes em profundidade. Assim, práticas voltadas à construção do perfil do solo são essenciais para a safra 2026/27.
Entre as medidas recomendadas estão a correção da saturação por bases, o equilíbrio entre cálcio, magnésio e potássio, a descompactação do solo e o estímulo ao aprofundamento do sistema radicular. Essas ações aumentam a eficiência no aproveitamento dos nutrientes já presentes no solo.
Sistema radicular profundo amplia acesso aos nutrientes
Investir apenas em fertilizantes de maior tecnologia não garante aumento de produtividade se o solo não oferecer condições adequadas para o crescimento das raízes. A construção de um perfil de solo profundo permite que as plantas acessem nutrientes anteriormente indisponíveis, aumentando a eficiência do manejo nutricional.
Barcelos menciona que essa estratégia já foi aplicada em propriedades acompanhadas por sua consultoria, resultando em altos índices de produtividade em competições nacionais.
Planejamento técnico será diferencial na safra 2026/27
Diante das incertezas do mercado internacional, especialistas recomendam que o planejamento da próxima safra seja baseado em informações agronômicas detalhadas. A realização de análises de solo e o manejo da fertilidade podem reduzir a dependência de fertilizantes importados e aumentar a eficiência dos recursos disponíveis na propriedade.
Em um cenário de margens mais apertadas, transformar o solo em um aliado estratégico pode ser uma das principais oportunidades para manter a competitividade da agricultura brasileira na safra 2026/27.











