Previa: O índice de ruptura nos supermercados brasileiros caiu para 11,5% em junho, mas a queda não alivia as preocupações com o consumo fraco e a adaptação do varejo às novas demandas dos consumidores.
O cenário de abastecimento nos supermercados brasileiros apresentou uma leve melhora em junho de 2026, com o índice de falta de produtos caindo para 11,5%, conforme levantamento da Neogrid. Essa redução de 0,9 ponto percentual em relação a maio, quando o índice era de 12,4%, ocorre em um contexto de consumo mais cauteloso e mudanças no comportamento dos consumidores.
Embora a diminuição da ruptura seja um sinal positivo, especialistas alertam que essa melhora não é apenas uma questão estrutural da cadeia de abastecimento. A desaceleração da demanda e a crescente sensibilidade dos consumidores em relação aos preços têm influenciado esse resultado. O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) revelou que junho registrou o pior desempenho do comércio desde a pandemia, com uma retração real de 2,8% nas vendas.
Ajustes no Varejo e Comportamento do Consumidor
Robson Munhoz, Chief Relationship Strategist da Neogrid, destaca que as redes varejistas estão revisando estoques e sortimentos para se adequar ao novo perfil de consumo. Os consumidores estão priorizando produtos mais acessíveis e substituindo marcas premium por opções de menor custo.
Esse comportamento levou os supermercados a reduzir a exposição de produtos de maior valor e a aumentar a disponibilidade de itens com maior giro, refletindo a necessidade de adaptação às novas demandas do mercado.
Entre os produtos monitorados, algumas categorias apresentaram variações significativas na ruptura. Os ovos, por exemplo, ainda enfrentam um alto índice de falta, embora tenha havido uma leve melhora, passando de 28,4% para 27,8%. Em contrapartida, o leite UHT teve uma recuperação notável, com a ruptura caindo para 13,8% após meses de pressão.
O café, por outro lado, registrou o maior nível de ruptura desde o início da série histórica da Neogrid, com um aumento de 8,6% para 9,4%. Essa situação reflete não apenas a mudança no comportamento do consumidor, mas também preocupações com a oferta futura devido a condições climáticas adversas nas regiões produtoras.
Além disso, o açúcar e o feijão mostraram tendências de recuperação, com a ruptura do açúcar caindo de 10,4% para 9,4% e o feijão reduzindo de 9,3% para 8,3%. No entanto, os preços desses produtos continuam a subir, indicando um desafio contínuo para o setor.
Os dados da Neogrid evidenciam que a cadeia de abastecimento está passando por uma fase de adaptação, onde o equilíbrio entre disponibilidade, custo e rentabilidade se torna cada vez mais desafiador. O agronegócio e a indústria de alimentos precisam se ajustar a um cenário em que a demanda é cada vez mais orientada pelo preço, garantindo a disponibilidade dos produtos essenciais para os consumidores.











