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Rio Tietê apresenta contaminação em toda sua extensão, revela SOS Mata Atlântica

A Fundação SOS Mata Atlântica revela que o rio Tietê não possui trechos livres de contaminação, evidenciando a complexidade dos problemas ambientais que afetam a água na região.

Rio Tietê apresenta contaminação em toda sua extensão, revela SOS Mata Atlântica

Previa: A Fundação SOS Mata Atlântica revela que o rio Tietê não possui trechos livres de contaminação, evidenciando a complexidade dos problemas ambientais que afetam a água na região. A pesquisa destaca a presença de microplásticos, agrotóxicos e substâncias farmacêuticas ao longo de todo o rio.

Um estudo recente da Fundação SOS Mata Atlântica, realizado durante a Expedição Tietê 2025, concluiu que não há nenhum trecho do rio Tietê que esteja completamente livre de contaminação. A pesquisa, que contou com a colaboração de universidades e centros de pesquisa, analisou mais de 1,1 mil quilômetros do rio, desde sua nascente em Salesópolis (SP) até a foz no Paraná, em Itapura (SP).

As análises revelaram a presença de múltiplas camadas de contaminação, incluindo aspectos microbiológicos, químicos, farmacológicos, plásticos, agrícolas e orgânicos. Em todos os pontos analisados, foram encontrados microplásticos, além de 25 tipos de agrotóxicos e 16 substâncias relacionadas a fármacos e drogas ilícitas.

Contaminação em Áreas Protegidas

Gustavo Veronesi, coordenador da causa Água Limpa da SOS Mata Atlântica, destacou que o problema da contaminação vai além das áreas urbanas. “Sempre se tem a ideia de que só esgoto é o problema do nosso rio, e esse estudo mostra que é muito mais complexo que isso”, afirmou. Mesmo em áreas protegidas, como o Parque da Nascente do Tietê, a influência das ações humanas é evidente.

Os resultados da pesquisa indicam que a contaminação varia ao longo do percurso do rio, refletindo a urbanização, o saneamento inadequado e o uso agrícola do solo. Veronesi explicou que o rio passa por áreas de abastecimento agrícola e regiões urbanizadas, onde a pressão populacional e a monocultura intensiva contribuem para a degradação da qualidade da água.

Entre os agrotóxicos identificados, destaca-se a presença de atrazina, um herbicida proibido na União Europeia desde 2004, mas ainda amplamente utilizado no Brasil. Essa substância foi encontrada em níveis acima dos limites legais em alguns trechos do Tietê, reforçando a necessidade de um monitoramento mais rigoroso sobre os produtos químicos utilizados na agricultura.

Além disso, a pesquisa identificou a presença de microplásticos, que são resultantes do desgaste de roupas durante a lavagem. Veronesi ressaltou que a responsabilidade pelo descarte adequado desses materiais deve ser compartilhada entre cidadãos e empresas, com a supervisão do poder público.

As substâncias farmacêuticas e drogas ilícitas detectadas, como cocaína e seus metabólitos, também são indicadores da presença humana no rio. A cafeína, encontrada em todos os pontos analisados, serve como um marcador da poluição por esgoto doméstico, evidenciando a insuficiência do tratamento de resíduos na região.

Os dados microbiológicos revelaram a presença de bactérias fecais e patógenos, que podem causar doenças gastrointestinais. Essa contaminação reflete os hábitos de consumo da população e a ineficiência do sistema de saneamento em impedir que resíduos cheguem aos corpos d’água.

Diante desse cenário alarmante, a SOS Mata Atlântica defende que a recuperação do rio Tietê requer uma abordagem integrada. Isso inclui a ampliação do saneamento, fiscalização efetiva, planejamento territorial, mudanças nas práticas agropecuárias e monitoramento contínuo da qualidade ambiental. Veronesi enfatizou a importância de um esforço conjunto entre o poder público e a sociedade para melhorar a qualidade da água do Tietê.

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