Previa: O programa “O relógio financeiro da longevidade” traz à tona a desigualdade enfrentada por idosos no Brasil, onde muitos vivem apenas com benefícios do INSS. A discussão sobre a educação financeira e a proteção contra fraudes é urgente e necessária.
A desigualdade social no Brasil se reflete de maneira alarmante na vida dos idosos. Dados recentes mostram que seis em cada dez brasileiros com 60 anos ou mais dependem exclusivamente de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Essa realidade é ainda mais preocupante para aqueles que não têm acesso a regimes de previdência diferenciados ou que não complementam sua renda com trabalho ou previdência privada.
O programa “O relógio financeiro da longevidade” será exibido nesta segunda-feira (10), às 23h, na TV Brasil e também estará disponível no canal da emissora no YouTube. A produção busca abordar a situação financeira dos idosos e as disparidades que existem entre diferentes grupos sociais.
Atualmente, o teto do INSS é de R$ 8.475,55, mas a maioria dos aposentados recebe cerca de R$ 3.207,05, conforme dados do Ministério da Previdência. Essa diferença acentua a vulnerabilidade de muitos idosos, especialmente aqueles que não têm acesso a uma rede de proteção financeira adequada.
“No mesmo país onde temos grupos sociais que estão chegando facilmente aos 80 anos com um acúmulo de poupanças, temos também um grupo que não está chegando com nada disso”, afirma Alexandre da Silva, secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa.
A desigualdade racial também se reflete nas aposentadorias. Segundo Nina Silva, especialista em Finanças e CEO do Movimento Black Money, trabalhadores pretos e pardos recebem entre 40% e 45% a menos que seus colegas brancos. Isso resulta em uma aposentadoria que, muitas vezes, é apenas o piso mínimo, deixando esses idosos em uma situação financeira crítica.
E qual é a saída?
Nina Silva propõe que a geração de capital dentro das comunidades pode ter um impacto positivo na base da pirâmide social. “Nosso trabalho é quebrar o ciclo da pobreza intergeracional”, explica. Essa abordagem é fundamental para garantir que as futuras gerações tenham melhores condições financeiras ao envelhecer.
Além disso, a ampliação da educação financeira entre os idosos é crucial. É necessário também combater o aumento de golpes e a violência patrimonial, que se intensificaram nos últimos anos. Em 2025, foram registradas mais de 59 mil denúncias de violações de direitos humanos relacionadas a questões patrimoniais envolvendo idosos, e o número já ultrapassa 19 mil neste ano.
“As denúncias de violações de direitos humanos em questão patrimonial envolvendo a pessoa idosa estão crescendo de forma alarmante”, destaca Franciely Almeida, coordenadora-geral do Disque 100.
Casos de fraudes contra idosos, como o de uma professora aposentada que teve sua conta bancária explorada por um familiar, são exemplos tristes dessa realidade. A equipe do programa “Caminhos da Reportagem” busca entender melhor o perfil das vítimas e agressores, além de oferecer orientações sobre como se prevenir contra fraudes e lidar com essas situações.











