Previa: Um novo projeto visa restaurar 600 mil hectares de vegetação nativa no Brasil, contribuindo para o compromisso do país de recuperar 12 milhões de hectares até 2030. A iniciativa, anunciada durante a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica, envolve diversas organizações ambientais e busca integrar ações em diferentes biomas.
Uma coalizão de organizações ambientais lançou, nesta semana, o projeto Restaura Biomas, que tem como objetivo ampliar a recuperação da vegetação nativa no Brasil. O anúncio foi feito durante a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica, realizada em Brasília, e marca um passo significativo na luta pela preservação ambiental no país.
A liderança do projeto é da União pela Restauração, uma articulação criada em 2021 durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26). O World Resources Institute (WRI) Brasil, em parceria com Conservação Internacional (CI-Brasil), The Nature Conservancy (TNC) Brasil e WWF-Brasil, será responsável pela execução da iniciativa.
Metas e Estratégias do Projeto
A proposta visa contribuir para que o Brasil alcance o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030, conforme acordos internacionais e a Política Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Proveg). A previsão é que 600 mil hectares sejam colocados em processo de restauração, além de promover práticas sustentáveis em 1,2 milhão de hectares.
O projeto também busca reduzir a emissão de 34 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂e) e beneficiar diretamente 150 mil pessoas, com um foco especial em garantir que pelo menos 35% dos beneficiados sejam mulheres. Para alcançar esses objetivos, o planejamento inclui o fortalecimento de políticas públicas e a ampliação de investimentos.
Taruhim Quadros, líder de Restauração do WWF-Brasil, destacou a importância de considerar as diferenças entre os biomas brasileiros. Segundo ela, não existe uma solução única para o país, e cada bioma possui características ecológicas e sociais que devem ser respeitadas para que a restauração seja efetiva.
O WWF-Brasil será responsável pela frente de finanças para restauração, desenvolvendo modelos de negócios e mecanismos financeiros que apoiem decisões de investimento. A ideia é conectar governos, empresas, investidores e comunidades para potencializar os resultados do projeto.
Para Mauricio Bianco, vice-presidente sênior da Conservação Internacional (CI-Brasil), ampliar a escala da restauração é fundamental para enfrentar as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade. Ele explicou que a estratégia do projeto é estruturada em três abordagens: a escala piloto, a escala de mercado e a escala de política pública.
Julio Tymus, coordenador de Restauração Florestal da TNC Brasil, ressaltou que o projeto foi construído a partir de consultas com representantes da sociedade civil, governos e setor privado. O diferencial da iniciativa é seu olhar integrador, que considera as políticas públicas existentes e a atuação prática de quem está na linha de frente da restauração.











