Prévia: A produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil enfrenta uma queda significativa, enquanto a fabricação de etanol registra um crescimento expressivo. Essa mudança no mix de produção reflete novas estratégias das usinas diante das condições de mercado.
A safra 2026/27 trouxe uma reviravolta para a produção de açúcar e etanol no Centro-Sul do Brasil. De acordo com dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a produção de açúcar caiu 12,38% até o final de junho, enquanto a fabricação de etanol cresceu 20,44% no mesmo período. Essa mudança no direcionamento da cana pelas usinas é um indicativo das novas dinâmicas do mercado sucroenergético.
Entre abril e junho, as usinas produziram 10,75 milhões de toneladas de açúcar, uma quantidade inferior à registrada na safra anterior. Em contrapartida, a produção total de etanol alcançou 11,36 bilhões de litros, evidenciando uma forte demanda por biocombustíveis.
Usinas priorizam etanol
Um dos principais fatores para essa mudança é o mix de produção, que indica a proporção de cana destinada ao açúcar e ao etanol. No período analisado, 57,48% da cana processada foi utilizada para a produção de etanol, um aumento considerável em relação aos 48,96% do ano anterior. Essa alteração mostra que as usinas estão se adaptando a um cenário econômico mais favorável para o biocombustível.
Com essa nova estratégia, as usinas estão priorizando a produção de etanol logo no início da safra, quando definem suas diretrizes de processamento. Essa decisão pode ter impactos significativos na oferta de açúcar no mercado, especialmente considerando que o Brasil é um dos principais exportadores globais da commodity.
Impacto no mercado de açúcar
Enquanto o etanol ganha espaço, a participação do açúcar na produção total caiu para 42,52%, em comparação aos 51,04% do ciclo anterior. Essa mudança na alocação da cana é um reflexo direto das condições de mercado e das expectativas para os preços de ambos os produtos.
A redução na produção de açúcar pode influenciar a oferta global, uma vez que o Brasil desempenha um papel crucial no abastecimento internacional. A relação entre açúcar e etanol se torna ainda mais relevante, pois a viabilidade econômica do biocombustível pode levar as usinas a alterar suas estratégias de produção ao longo da safra.
Perspectivas para a safra 2026/27
Os próximos meses serão decisivos para o setor, com o mix de produção de açúcar e etanol servindo como um indicador chave. Se as condições de mercado continuarem favoráveis ao etanol, as usinas poderão manter a tendência de priorizar o biocombustível, limitando a produção de açúcar.
Por outro lado, flutuações nos preços entre açúcar e etanol podem provocar novas mudanças nas decisões das usinas. A adaptação das indústrias às condições de mercado será fundamental para determinar o rumo da safra 2026/27 e suas implicações para o agronegócio brasileiro.











