Previa: O mercado de carne de frango no Brasil se mantém estável, com preços que não reagem devido à alta oferta de animais. Apesar do bom desempenho nas exportações, a situação exige atenção na gestão da produção.
O setor avícola brasileiro enfrenta um momento de estabilidade nos preços da carne de frango, tanto no atacado quanto nas principais regiões de comercialização do frango vivo. Embora o consumo esteja favorável e as exportações apresentem um desempenho robusto, a elevada disponibilidade de animais limita uma recuperação significativa das cotações.
De acordo com a análise da Safras & Mercado, o equilíbrio entre oferta e demanda é um ponto crucial para a cadeia avícola. A gestão dos alojamentos é considerada estratégica para evitar o excesso de oferta e possibilitar uma recuperação mais sustentável dos preços.
Oferta elevada mantém pressão sobre os preços
Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, destaca que os preços do frango refletem a maior disponibilidade de animais no mercado. Mesmo em um período tradicionalmente favorável ao consumo, as cotações no atacado permanecem pressionadas, indicando a necessidade de ajustes na oferta para melhorar o equilíbrio entre produção e demanda.
Esse cenário se mantém apesar de fatores positivos, como o desempenho das exportações de carne de frango, que seguem em ritmo acelerado. A expectativa é que o Brasil alcance um novo recorde de embarques em 2026, superando 5,6 milhões de toneladas.
Exportações de carne de frango aceleram em agosto
Os dados da Secretaria de Comércio Exterior revelam um avanço significativo nas exportações brasileiras de carne de aves e miudezas comestíveis. Nos primeiros cinco dias úteis de agosto, o Brasil exportou 149,777 mil toneladas, com uma receita total de US$ 299,974 milhões, refletindo um crescimento expressivo em comparação ao mesmo período do ano anterior.
- Valor exportado: +92,5%;
- Volume embarcado: +68,4%;
- Preço médio: +14,3%.
Esses números reforçam a importância das exportações como um pilar de sustentação para a cadeia avícola brasileira neste momento desafiador.
Carne bovina cara aumenta competitividade do frango
Outro fator que favorece a competitividade do frango é o preço elevado da carne bovina. Com a proteína bovina mais cara, o frango se torna uma alternativa viável para os consumidores, ampliando seu espaço no mercado. Essa dinâmica aumenta a competitividade entre as proteínas, beneficiando especialmente o frango.
Além disso, o mercado externo continua a ser uma importante fonte de demanda para a produção brasileira, contribuindo para a estabilidade do setor.
Custos de produção seguem no radar
Os custos de produção permanecem uma preocupação para os avicultores, mas a disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a controlar as despesas com alimentação das aves. Esses insumos são fundamentais na nutrição animal e sua oferta mais ampla contribui para preservar as margens do setor, mesmo com os preços internos pressionados.
O equilíbrio entre custos, alojamento, consumo interno e exportações será crucial para o comportamento dos preços nos próximos meses.
Preço do frango vivo permanece estável
O levantamento semanal da Safras & Mercado indica que os preços do frango vivo se mantêm estáveis nas principais regiões produtoras do Brasil. Em São Paulo, o quilo do frango vivo está cotado a R$ 5,00, enquanto no Sul, os preços variam entre R$ 4,65 e R$ 4,75/kg.
- Rio Grande do Sul: R$ 4,75/kg;
- Santa Catarina: R$ 4,75/kg;
- Oeste do Paraná: R$ 4,65/kg;
- Mato Grosso do Sul: R$ 4,55/kg;
- Goiás: R$ 4,55/kg;
- Minas Gerais: R$ 4,60/kg;
- Distrito Federal: R$ 4,60/kg;
- Ceará: R$ 6,80/kg;
- Pernambuco: R$ 7,00/kg;
- Pará: R$ 7,20/kg.
Esses valores refletem a estabilidade do mercado, que se mantém atento às variações na oferta e na demanda.
Avicultura brasileira entre oferta elevada e demanda externa forte
O setor avícola está em um momento de intersecção entre uma oferta interna elevada e exportações aquecidas. O crescimento das exportações oferece suporte à demanda, melhorando as perspectivas para a produção nacional. Entretanto, a alta disponibilidade de animais impede uma reação mais expressiva dos preços no mercado interno.
Nos próximos meses, a gestão dos alojamentos será fundamental para determinar o equilíbrio da cadeia. Uma oferta mais ajustada poderá permitir uma recuperação dos preços, enquanto a manutenção de volumes elevados tende a limitar ganhos.
Com as exportações em trajetória de recorde, o setor avícola brasileiro apresenta perspectivas positivas no mercado internacional, mas deve continuar atento ao comportamento da oferta e dos preços no mercado interno.











