Previa: O preço do trigo no mercado internacional está em alta devido às tensões entre Rússia e Ucrânia, enquanto o Brasil enfrenta dificuldades na comercialização do grão. A combinação de oferta limitada e demanda moderada resulta em baixa liquidez nas negociações.
Nos últimos dias, as cotações do trigo no mercado internacional apresentaram um aumento significativo, impulsionadas por tensões geopolíticas entre Rússia e Ucrânia. Além disso, as condições climáticas em regiões produtoras da Europa e dos Estados Unidos também geram preocupação, elevando os preços futuros na Bolsa de Chicago. O contrato com vencimento em setembro de 2026 superou a marca de US$ 7 por bushel, refletindo um cenário de incerteza global.
Mercado brasileiro enfrenta desafios
Apesar da valorização no exterior, o mercado interno brasileiro de trigo continua a apresentar um ritmo lento de comercialização. Segundo dados do Cepea, a entressafra resultou em uma oferta limitada do grão remanescente da safra anterior. Moinhos operam com estoques confortáveis, enquanto os produtores evitam antecipar vendas da nova temporada, resultando em baixa liquidez nas transações.
A combinação de oferta reduzida, demanda moderada e a cautela dos agentes do mercado contribui para um cenário típico de transição entre safras, dificultando a movimentação de negócios. A indústria de moagem, por sua vez, enfrenta dificuldades em repassar os aumentos de custos ao consumidor, levando a uma redução no ritmo de moagem e ao aumento dos estoques.
Preços e qualidade do trigo no Brasil
No Rio Grande do Sul, os preços para retirada em agosto e pagamento em setembro foram registrados em média a R$ 1.300 por tonelada. O trigo de melhor qualidade alcançou R$ 1.350 por tonelada, enquanto a entrega direta aos moinhos chegou a R$ 1.460 por tonelada. Contudo, a qualidade dos estoques remanescentes preocupa, com relatos de níveis elevados de DON, uma micotoxina que compromete a qualidade industrial do cereal.
Em Santa Catarina, a oferta da safra anterior praticamente se esgotou, com o último lote negociado a R$ 1.350 por tonelada FOB. O trigo do Rio Grande do Sul foi ofertado entre R$ 1.340 e R$ 1.400 por tonelada, além dos custos de frete. Mesmo com reajustes nos preços da farinha, o mercado permanece com baixa movimentação, forçando moinhos a reduzir a produção.
No Paraná, os preços continuam acima de R$ 1.400 por tonelada, o que pressiona as margens da indústria. Os negócios para entrega em moinho na região de Curitiba foram registrados a R$ 1.450 por tonelada CIF. A expectativa é de que os produtores permaneçam cautelosos, aguardando maior definição sobre o potencial produtivo da nova safra antes de avançar nas vendas.
Expectativas para o futuro do mercado de trigo
O mercado brasileiro de trigo deve continuar a monitorar de perto as cotações internacionais nas próximas semanas. As tensões entre Rússia e Ucrânia, combinadas com os riscos climáticos nas principais regiões produtoras do Hemisfério Norte, podem sustentar os preços globais. No entanto, a expectativa é de que a baixa liquidez persista até que a colheita da nova safra avance, com produtores adotando uma postura defensiva e moinhos priorizando a gestão de estoques em um ambiente de demanda ainda moderada.











