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Preço do trigo no Brasil se mantém firme apesar da pressão internacional e colheita avançando

O preço do trigo no Brasil se mantém estável, mesmo diante da pressão de queda no mercado internacional. A oferta limitada do cereal no país, especialmente no Sul, garante...

Preço do trigo no Brasil se mantém firme apesar da pressão internacional e colheita avançando

Previa: O preço do trigo no Brasil se mantém estável, mesmo diante da pressão de queda no mercado internacional. A oferta limitada do cereal no país, especialmente no Sul, garante a sustentação das cotações.

O mercado de trigo brasileiro demonstra resiliência frente às oscilações do cenário internacional. Apesar da queda nas cotações na Bolsa de Chicago, impulsionada pelo avanço da colheita no Hemisfério Norte e uma expectativa de maior oferta global, os preços internos permanecem firmes. Essa estabilidade é especialmente notável nos estados do Sul, onde a oferta do cereal é restrita.

Dados da TF Agroeconômica indicam que a baixa disponibilidade de trigo no mercado interno, aliada à necessidade de importações para suprir a demanda da indústria moageira, está sustentando os preços. No Rio Grande do Sul, produtores estão adotando uma postura firme nas negociações, prevendo escassez até a chegada da nova safra.

Oferta restrita impulsiona preços no Sul do país

No Rio Grande do Sul, a demanda se concentra em lotes de trigo com maior força de glúten, essenciais para a produção de farinhas de qualidade superior. Estima-se que existam cerca de 210 mil toneladas disponíveis no estado, enquanto a necessidade de importação pode chegar a 240 mil toneladas nos próximos meses, criando um desequilíbrio entre oferta e demanda.

Esse cenário tem elevado os preços internos, que estão se aproximando da paridade de importação. O trigo argentino, por exemplo, está sendo comercializado em Canoas a cerca de US$ 300 por tonelada, resultando em um aumento nos valores pagos pelos moinhos gaúchos, que variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada FOB.

Em Santa Catarina, os preços do trigo pão estão em R$ 1.360 por tonelada FOB, enquanto o trigo melhorador é negociado a R$ 1.400 FOB. No Paraná, as transações ocorrem em torno de R$ 1.420 por tonelada CIF, com muitos vendedores optando por reter o produto, na expectativa de novas valorizações.

Pressões internacionais e produção nacional

Enquanto isso, no mercado internacional, os contratos futuros de trigo na Bolsa de Chicago estão em queda, refletindo o avanço da colheita nos Estados Unidos e boas condições nas lavouras europeias. A expectativa de estoques globais mais confortáveis limita a recuperação das cotações, mesmo com a recente interrupção de perdas nos contratos de julho.

Além disso, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para baixo a estimativa de produção nacional, reduzindo a safra de 6,39 milhões para 6,30 milhões de toneladas. Esse volume é significativamente inferior às 7,87 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior, aumentando a dependência do Brasil em relação às importações.

Com as atenções voltadas para o desenvolvimento da nova safra de inverno no Sul, as condições climáticas das próximas semanas serão cruciais para a produtividade das lavouras. O setor também observa as políticas agrícolas da Argentina, que anunciou cortes nas alíquotas de exportação de grãos, o que pode estimular o plantio e aumentar a oferta de trigo na América do Sul.

Em suma, o mercado brasileiro de trigo deve continuar a operar em uma dinâmica própria, sustentado pela oferta restrita e pela necessidade de abastecimento interno, mesmo diante das pressões observadas nas bolsas internacionais.

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