Prévia: O mercado de trigo no Brasil enfrenta desafios, com preços pressionados pela baixa demanda e maior oferta internacional, mesmo com a alta nos contratos futuros em Chicago. A expectativa pela nova safra no Sul do país contribui para a cautela entre compradores e vendedores.
O cenário atual do mercado de trigo revela uma dicotomia entre o que ocorre internacionalmente e a realidade no Brasil. Enquanto os contratos futuros na Bolsa de Chicago apresentam uma leve alta, impulsionados pela diminuição da produção nos Estados Unidos e pela queda nos estoques globais, os preços internos continuam sob pressão. A baixa demanda da indústria e a competitividade do trigo importado são fatores que limitam a valorização do cereal no país.
Mercado brasileiro enfrenta baixa liquidez
No Sul do Brasil, as negociações estão lentas, com preços praticamente estáveis. De acordo com a TF Agroeconômica, os moinhos estão bem abastecidos e operam com um ritmo de moagem reduzido, resultando em pouca necessidade de novas compras. A proximidade da nova colheita, que deve iniciar em cerca de dois meses e meio, diminui o interesse por aquisições imediatas.
Além disso, a qualidade do trigo gaúcho tem sido uma preocupação, especialmente devido à presença de DON (Deoxinivalenol), uma micotoxina que compromete o aproveitamento industrial do cereal. Os preços de negociação variam entre R$ 1.300 e R$ 1.320 por tonelada, enquanto os negócios envolvendo sementes estão em torno de R$ 1.250 por tonelada.
Santa Catarina e Paraná: realidades distintas
Em Santa Catarina, o mercado permanece estagnado, com ofertas de trigo-pão entre R$ 1.300 e R$ 1.350 por tonelada, e trigo branqueador variando de R$ 1.360 a R$ 1.400 por tonelada. Apesar das ofertas, não há confirmação de negócios significativos, e os preços se mantêm estáveis na maioria das regiões produtoras.
Por outro lado, o Paraná apresenta um mercado mais aquecido, com uma valorização mensal de 1,83% nas cotações. Os compradores estão oferecendo preços que variam de R$ 1.450 a R$ 1.530 por tonelada, dependendo da região. A menor disponibilidade de trigo de qualidade tem levado a indústria a considerar importações do Paraguai para atender à demanda.
Influências internacionais e perspectivas futuras
No cenário internacional, os contratos futuros em Chicago estão em alta, com a produção norte-americana revisada para 41,8 milhões de toneladas, o menor volume desde 1970. No entanto, a elevada oferta de trigo da região do Mar Negro, especialmente da Rússia e Ucrânia, limita a valorização global. As exportações da Rússia estão projetadas em 47,5 milhões de toneladas, enquanto a Ucrânia deve exportar 14,5 milhões de toneladas.
A Argentina, principal fornecedora de trigo ao Brasil, também deve aumentar sua participação no mercado brasileiro, o que poderá manter os preços internos sob controle. A combinação de uma menor safra nos EUA e a alta oferta de outros países cria um cenário complexo para o mercado de trigo, que deve permanecer cauteloso no curto prazo.
Assim, a expectativa é de que o mercado continue seletivo, com compradores priorizando qualidade e preços relativamente estáveis, enquanto os produtores monitoram o desenvolvimento das lavouras de inverno e as flutuações do cenário internacional.











