Previa: O mercado de milho no Brasil apresenta oscilações, com contratos futuros mantendo-se acima de R$ 70 na B3, enquanto as exportações continuam a impulsionar os preços. Apesar de correções recentes, a demanda internacional e a necessidade de armazenagem sustentam o cenário positivo para o cereal.
Na quinta-feira (23), o mercado brasileiro de milho registrou valorização nos contratos futuros na B3. No entanto, as transações no mercado físico mostraram-se seletivas, refletindo a cautela de vendedores e compradores. Nesta sexta-feira (24), os preços passaram por uma leve correção, tanto na Bolsa Brasileira quanto na Bolsa de Chicago (CBOT), um movimento considerado técnico após os recentes avanços nas cotações.
Ainda que os preços tenham sofrido ajustes, os fundamentos do mercado permanecem favoráveis ao milho. A demanda internacional aquecida, o ritmo das exportações brasileiras e a necessidade de armazenagem da safra contribuem para a sustentação dos preços. Além disso, a firmeza dos produtores em suas negociações reforça esse cenário.
Contratos do milho acumulam forte valorização na semana
De acordo com a TF Agroeconômica, o contrato de setembro de 2026 encerrou a quinta-feira cotado a R$ 70,75 por saca, apresentando uma alta de R$ 0,64 no dia e um ganho acumulado de R$ 2,35 na semana. Outros vencimentos também mostraram valorização significativa, com novembro/2026 a R$ 74,75 e janeiro/2027 a R$ 77,40 por saca.
Os contratos para 2027 superaram a marca de R$ 77 por saca, refletindo expectativas otimistas para o mercado e oportunidades para os produtores fixarem preços. Essa valorização é um indicativo de que o mercado está respondendo positivamente às condições atuais.
Exportações e indicador Cepea reforçam sustentação dos preços
O desempenho das exportações brasileiras tem sido um fator crucial para o fortalecimento do mercado. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) revisou a projeção de embarques de milho em julho para 3,70 milhões de toneladas, um aumento de 7,6% em relação à estimativa anterior.
Além disso, o indicador do Cepea registrou uma alta acumulada de 3,48% nos últimos sete dias, evidenciando a recuperação dos preços no mercado interno. Analistas apontam que a combinação da demanda externa aquecida com a necessidade de liberar espaço nos armazéns para a nova safra tem contribuído para a estabilidade do mercado.
Mercado físico continua com liquidez moderada
Nas principais regiões produtoras, o mercado físico apresenta negociações pontuais. No Rio Grande do Sul, os preços oscilaram entre R$ 57 e R$ 65 por saca, com uma média estadual de R$ 59,04. A demanda da cadeia pecuária tem absorvido parte significativa da oferta, reduzindo a pressão sobre os preços.
Em Santa Catarina, a liquidez permanece limitada devido à diferença nas ofertas de compradores e vendedores. Enquanto os compradores propõem valores próximos de R$ 55 por saca, os vendedores mantêm pedidos em torno de R$ 60, dificultando o fechamento de novos negócios.
No Paraná, a colheita da segunda safra atingiu 29% da área cultivada, aumentando a expectativa de oferta. As lavouras estão em boas condições, com 81% apresentando bom desempenho. Os preços variaram entre R$ 50,35 e R$ 60,09 por saca, dependendo da região.
No Mato Grosso do Sul, as cotações ficaram entre R$ 47,57 e R$ 50 por saca, com a demanda da indústria de etanol de milho e bioenergia ajudando a manter os preços estáveis, mesmo com o avanço da colheita.
Chicago realiza correção técnica após sequência de altas
Os contratos futuros de milho na Bolsa de Chicago iniciaram a sexta-feira em queda, após uma sequência de valorização. As cotações registraram uma leve correção, com o setembro/2026 a US$ 4,59 por bushel. Esse movimento ocorreu em resposta às previsões de calor intenso sobre o cinturão produtor de milho dos Estados Unidos.
Os alertas meteorológicos indicam temperaturas elevadas em estados produtores como Minnesota e Iowa, o que vinha sustentando os preços internacionais. Contudo, com parte desse risco já precificado, o mercado passou por um movimento natural de realização de lucros.
B3 acompanha Chicago e registra leves recuos
A Bolsa Brasileira também apresentou leves recuos, acompanhando a tendência do mercado internacional. Os principais contratos mostraram pequenas quedas, mas ainda permanecem próximos das máximas recentes, indicando fundamentos positivos para o mercado nacional.
Apesar da correção pontual, a perspectiva para o milho brasileiro continua positiva, sustentada pelos volumes de exportação e pela demanda firme da indústria de proteína animal e bioenergia. A entrada da segunda safra aumentará gradualmente a oferta, mas o desempenho das exportações e as condições climáticas nos Estados Unidos serão determinantes para os preços nas próximas semanas.











