Previa: O mercado de mamão enfrenta desafios significativos em 2026, com a queda nos preços e o aumento dos custos de produção, impactando diretamente a rentabilidade dos produtores. A combinação de fatores climáticos e fitossanitários gera incertezas para o setor.
Os produtores de mamão formosa estão passando por um momento delicado no segundo semestre de 2026. De acordo com um levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a combinação de uma oferta crescente de frutas, temperaturas elevadas e custos de produção em alta está afetando a rentabilidade, especialmente nas regiões do Norte do Espírito Santo e Sul da Bahia.
Além da pressão sobre os preços, as previsões climáticas associadas ao fenômeno El Niño mantêm o setor em alerta. O calor intenso e os períodos de estiagem podem comprometer a qualidade dos frutos e influenciar os investimentos nas próximas safras, criando um cenário de incerteza para os mamocultores.
Impacto das Temperaturas Elevadas na Qualidade do Produto
O ano de 2026 tem se caracterizado por preços médios inferiores aos do ano anterior. O aumento das temperaturas durante boa parte do ano resultou na produção de frutas com menor padrão de qualidade comercial, conforme apontado pelo Cepea.
Além disso, as condições climáticas favoreceram a incidência de pragas e doenças, como os ácaros rajado e branco, além de viroses, o que aumentou os custos de manejo nas lavouras e reduziu o aproveitamento da produção.
Desempenho Regional e Desafios no Mercado
No primeiro semestre de 2026, os produtores do Norte do Espírito Santo enfrentaram uma queda de 37% nos preços médios do mamão formosa em comparação ao mesmo período do ano anterior. Essa situação comprometeu a rentabilidade da atividade, enquanto os custos de produção aumentaram em 14%, principalmente devido à intensificação do controle de pragas.
Em contraste, outras regiões do Nordeste, como o Oeste da Bahia e o polo formado por Rio Grande do Norte e Ceará, apresentaram um desempenho mais favorável. A oferta de frutas de melhor qualidade nessas áreas aumentou a competitividade, garantindo uma remuneração mais justa aos produtores, mesmo diante da presença de viroses.
Perspectivas para o Segundo Semestre
As projeções para os próximos meses indicam que o mercado continuará a ser influenciado pelas condições climáticas. Os efeitos do El Niño podem resultar em temperaturas acima da média e prolongar períodos de estiagem, o que tende a elevar a oferta em determinados momentos e pressionar os preços.
Esse ambiente de incerteza pode desestimular novos investimentos na cultura, especialmente considerando o aumento dos custos de produção e a menor previsibilidade de retorno econômico.
Estratégias para Preservar a Competitividade
O desempenho da mamocultura no segundo semestre dependerá da evolução das condições climáticas, da capacidade dos produtores em controlar pragas e doenças e do comportamento da oferta nacional. Com preços pressionados e custos elevados, o setor adota uma postura cautelosa.
Especialistas ressaltam que a adoção de estratégias de manejo eficiente, investimentos em sanidade vegetal e o acompanhamento constante do mercado serão fundamentais para preservar a competitividade da produção brasileira de mamão nos próximos ciclos. O cenário exige atenção e adaptação para enfrentar os desafios que se apresentam.











