Previa: O mercado global de açúcar enfrenta oscilações, com atenção voltada para o clima na Índia, enquanto o açúcar cristal se recupera no Brasil e o etanol continua em queda. A volatilidade do setor sucroenergético reflete a dinâmica da safra e as expectativas de produção.
O mercado internacional do açúcar registrou novas oscilações nesta quarta-feira (23), em meio a ajustes técnicos nas bolsas de commodities. Os investidores estão atentos às condições climáticas na Índia, um dos principais produtores da commodity, que influenciam diretamente as expectativas de oferta global. No Brasil, o açúcar cristal teve uma leve recuperação no mercado paulista, enquanto o etanol enfrenta um cenário de queda devido ao aumento da oferta no Centro-Sul.
Desempenho nas Bolsas Internacionais
Após uma semana de recuperação, os contratos futuros do açúcar nas principais bolsas internacionais voltaram a apresentar ajustes negativos. Na ICE Futures US, em Nova York, o contrato com vencimento em outubro de 2026 fechou a 14,74 cents por libra-peso, com uma leve queda de 0,14 ponto. A Bolsa de Londres também acompanhou essa tendência, com os contratos do açúcar branco encerrando o dia em baixa.
O contrato de outubro de 2026 na Bolsa de Londres fechou a US$ 464,70 por tonelada, uma queda de US$ 4,60. As oscilações nos preços refletem ajustes de mercado após as recentes altas e a constante vigilância sobre as perspectivas de oferta mundial.
Mercado Doméstico e Preços do Açúcar Cristal
No cenário interno, o açúcar cristal teve um desempenho positivo, com o Indicador CEPEA/ESALQ fechando a R$ 91,68 por saca de 50 quilos, um avanço de 0,60% no dia. Apesar das oscilações, o indicador acumula uma alta de 0,45% em julho, indicando um equilíbrio entre oferta e demanda, mesmo com o aumento da moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul.
Especialistas ressaltam que o mercado interno é influenciado pela dinâmica das usinas, ritmo das vendas e comportamento das exportações brasileiras, fatores que continuam a moldar o cenário do setor sucroenergético.
Queda nos Preços do Etanol
Enquanto o açúcar cristal mostra sinais de valorização, o etanol hidratado continua sua trajetória de queda. O Indicador Diário de Paulínia (SP) fechou a R$ 2.178,50 por metro cúbico, uma desvalorização de 0,64% em relação ao dia anterior. No acumulado de julho, a queda chega a 7,91%, refletindo um aumento na disponibilidade de produto e a intensificação da moagem de cana.
Esse cenário de pressão nos preços do etanol é característico do pico da safra, onde a oferta tende a superar a demanda, impactando diretamente os preços no mercado de biocombustíveis.
Influência do Clima na Índia
Além do desempenho da safra brasileira, as condições climáticas na Índia permanecem como um fator crucial para o mercado global de açúcar. Recentemente, as chuvas de monção melhoraram, aliviando preocupações sobre possíveis perdas na produção de cana-de-açúcar. No entanto, modelos meteorológicos ainda indicam a possibilidade de precipitações abaixo da média histórica, o que mantém os investidores em alerta.
Qualquer alteração nas monções pode provocar novas oscilações nas bolsas internacionais nas próximas semanas, dada a importância dessa fase para o desenvolvimento das lavouras na Índia.
Perspectivas para o Setor Sucroenergético
A combinação do avanço da safra brasileira, a evolução das exportações e as condições climáticas na Índia deverá continuar a influenciar os preços do açúcar no mercado internacional. Enquanto o açúcar cristal demonstra sinais de recuperação no mercado interno, o etanol permanece sob pressão, o que sugere que a volatilidade do setor sucroenergético deve persistir ao longo do restante da safra.











