Prévia: O mercado de citros no Brasil apresenta uma dualidade significativa, com a laranja de mesa enfrentando queda nos preços devido ao aumento da oferta, enquanto a lima ácida tahiti se valoriza em meio à entressafra. Esse cenário reflete as dinâmicas de produção e demanda nas principais regiões produtoras de São Paulo.
O início da temporada de citros no Brasil revela comportamentos distintos entre as variedades. A laranja de mesa, por exemplo, tem visto seus preços recuarem, impulsionada pelo aumento da oferta nas principais áreas de cultivo em São Paulo. Em contrapartida, a lima ácida tahiti se destaca com preços em alta, resultado da baixa disponibilidade típica da entressafra.
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a discrepância na oferta entre as regiões produtoras de São Paulo tem gerado movimentos opostos nas cotações. Essa situação reflete o estágio atual de produção de cada cultura, evidenciando a complexidade do mercado de citros.
Maior oferta reduz poder de negociação da laranja
A chegada das variedades de meia estação tem ampliado a disponibilidade de laranjas no mercado. Além disso, a qualidade da produção é considerada satisfatória, favorecida pelas condições das lavouras. Contudo, o aumento do volume comercializado tem reduzido o poder de negociação dos citricultores.
Com um mercado mais abastecido, os compradores encontram maior facilidade em negociar preços, o que pressiona os valores da laranja destinada ao consumo in natura. O Cepea indica que essa dinâmica deve continuar influenciando as cotações nas próximas semanas, à medida que novos volumes entram no mercado.
Entressafra mantém tahiti valorizada
No caso da lima ácida tahiti, a situação é oposta. A fruta apresenta excelente padrão de qualidade, mas a oferta permanece limitada devido à entressafra. Essa escassez tem gerado uma intensa disputa entre compradores, resultando em preços mais elevados para os produtores que ainda possuem a fruta disponível.
As expectativas para a próxima safra da tahiti, que começa a ganhar ritmo a partir de setembro, indicam uma produção inferior à do ano anterior. As previsões apontam para uma redução significativa nas regiões Centro-Oeste e Norte de São Paulo, importantes polos produtores da fruta.
Mercado de citros segue atento ao clima
As condições climáticas têm um papel crucial na formação dos preços dos citros ao longo de 2026. Especialistas destacam que o desenvolvimento dos pomares, o ritmo da colheita e o consumo interno serão fatores determinantes para o mercado. Caso a expectativa de menor produção da tahiti se confirme, é provável que os preços se mantenham firmes nos próximos meses.
Por outro lado, a continuidade da entrada da safra de laranja pode manter a pressão sobre os preços, especialmente enquanto a oferta permanecer elevada. Assim, o mercado de citros se mostra dinâmico e sujeito a variações conforme as condições climáticas e a evolução das safras.











