A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) investiga a morte de Jéssica Conceição da Cruz, que faleceu no último sábado (19), após passar dois meses internada em decorrência de complicações de uma cirurgia estética realizada em uma unidade do Grupo Celita Toledo, localizada nas Laranjeiras, zona sul do Rio. Este caso marca a terceira morte de um paciente após procedimentos realizados na mesma clínica, conforme informações apuradas pelo Metrópoles.
Jéssica, de 30 anos, foi submetida a um procedimento cirúrgico que incluía remodelamento costal, lipoaspiração e abdominoplastia em 14 de julho. Após a cirurgia, foi liberada no dia seguinte, mas começou a apresentar sintomas graves, como dor intensa e febre. Ela retornou ao hospital em 19 de julho e foi internada, onde passou por diversas intervenções médicas. Após 67 dias de internação, Jéssica não resistiu e faleceu devido a “peritonite fecal por complicação cirúrgica decorrente de perfuração intestinal”, conforme o atestado de óbito.
Investigação em andamento
O delegado Wellington Vieira, da Delegacia do Consumidor (Decon), destacou que Jéssica passou por um longo período de sofrimento após a cirurgia e que há indícios de que o número de vítimas pode ser maior. Ele mencionou que algumas mulheres podem estar com medo de denunciar ou até mesmo sofrendo coação. A Decon está apurando a possibilidade de novas vítimas e a relação das mortes com os procedimentos realizados na clínica.
Além de Jéssica, outra paciente, Isabely Viana, de 42 anos, também faleceu após passar por uma abdominoplastia em 12 de junho. Isabely sofreu uma queda brusca dos sinais vitais e uma parada cardiorrespiratória durante o procedimento, permanecendo internada por cinco dias antes de falecer. A terceira morte, que está sendo investigada, ainda não teve detalhes divulgados.
Problemas na clínica e prisão de proprietário
As investigações levaram a Decon a realizar uma operação em unidades da rede no início de julho, onde foram encontrados medicamentos vencidos. Adriano Silva do Nascimento, um dos proprietários da clínica, se apresentou durante a ação e foi preso em flagrante por crimes contra as relações de consumo, mas foi liberado após o pagamento de fiança.
As unidades do Grupo Celita Toledo estão vinculadas à candidata a deputada federal Celita Toledo, do partido Republicanos. O Metrópoles tentou contato com a assessoria da parlamentar, mas até o momento não obteve resposta.
A situação levanta preocupações sobre a segurança em procedimentos estéticos realizados em clínicas privadas e a necessidade de uma regulamentação mais rigorosa para garantir a saúde e a segurança dos pacientes. As investigações em curso podem revelar mais informações sobre as práticas da clínica e a responsabilidade dos envolvidos nos casos de complicações e mortes.











