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Oposição condiciona apoio e ameaça atrasar tramitação do fim da escala 6×1

A aprovação da admissibilidade da proposta que acaba com a escala

A aprovação da admissibilidade da proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1 na CCJ da Câmara abriu uma nova frente de disputa no Congresso. Com a matéria avançando para uma comissão especial, a oposição alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sinaliza que não deve barrar a proposta, mas promete impor condições e alterar o conteúdo antes da análise em plenário.

O principal ponto de pressão está na exigência de compensações ao setor produtivo. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que o governo terá dificuldades para aprovar a medida sem apresentar uma contrapartida considerada robusta às empresas. A avaliação entre os oposicionistas é que a redução da jornada pode elevar custos trabalhistas e exigir medidas de alívio, como incentivos ou ajustes fiscais.

Nos bastidores, integrantes da base governista resistem à ideia de desoneração, mas admitem a necessidade de negociar alternativas para destravar a tramitação.

Além das compensações, o PL pretende sugerir mudanças estruturais no texto. Entre elas, a possibilidade de adoção de pagamento por hora trabalhada e a ampliação do período de transição para adaptação das empresas. A sigla também defende um modelo mais flexível de contratação, o que pode colidir com a proposta defendida pelo governo de redução da jornada sem corte de salários.

Apesar das ressalvas, a oposição tem evitado se posicionar frontalmente contra o fim da escala 6×1, uma pauta de forte apelo popular. A estratégia busca impedir desgaste em um ano eleitoral, ao mesmo tempo em que transfere ao governo o custo de viabilizar economicamente a proposta.

Outra frente de atuação envolve o ritmo de tramitação. Deputados mais críticos à medida articulam o uso do prazo máximo previsto no regimento da Câmara – até 40 sessões – para prolongar a análise na comissão especial. Caso essa estratégia avance, a votação em plenário pode ficar para o segundo semestre.

Há também críticas à condução acelerada do tema. Deputados da oposição avaliam que a discussão vem sendo feita sob pressão política e eleitoral, e defendem maior debate sobre impactos econômicos e regras de implementação.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve instalar nos próximos dias a comissão especial que analisará o conteúdo da proposta. A expectativa é tentar levar o texto ao plenário até o fim de maio, o que aumenta a tensão entre governo e oposição sobre o formato final da medida.

Aprovada na CCJ em votação simbólica, a proposta ainda está longe de um consenso. O avanço da pauta, agora, depende da capacidade de negociação em torno de custos, prazos de transição e eventuais compensações.